A Prefeitura de João Monlevade, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da rede municipal de Saúde Mental, realizou nesta quarta-feira (9) o III Simpósio Intersetorial de Prevenção ao Suicídio e Valorização da Vida. Com o tema “Escutar é estar presente!” e o lema “Prevenção ao Suicídio e Valorização da Vida: uma responsabilidade de todos!”, o evento reuniu profissionais de diferentes áreas para um dia de reflexão, troca de experiências e fortalecimento da rede de cuidado. O encontro contou com a presença dos vereadores Sassá Misericórdia (Cidadania) – vice-presidente da Câmara Municipal, e Belmar Diniz (PT).
Na abertura, a secretária municipal de Saúde, Raquel Drumond, destacou a importância da continuidade do trabalho desenvolvido na área. “É um grande orgulho estarmos aqui promovendo o terceiro simpósio do Setembro Amarelo. Tudo é alcançado passo a passo, plantamos a semente e estamos colhendo os frutos desse trabalho tão importante da Saúde Mental”, afirmou.
A coordenadora de Saúde Mental, Eliana Bicalho Ferreira de Almeida, ressaltou que a prevenção precisa acontecer durante todo o ano, e não apenas em setembro. A partir de uma reflexão sobre o mito de Sísifo e a obra de Albert Camus, ela destacou a importância da escuta, do acolhimento e da construção de vínculos. “Ninguém deveria precisar carregar sua pedra sozinho. É aí que começa a prevenção”, disse Eliana, que reforçou a proposta de “cuidar de setembro a setembro”.

A programação teve início com a declamação do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, por Mariana Geralda de Jesus, professora da rede municipal e graduanda em Direito. Na sequência, a médica Rosângela Guimarães Ribeiro ministrou a palestra “Do Silêncio à Prevenção: Uma Perspectiva Histórica sobre o Suicídio”. Ela destacou que o tema é complexo e atravessado por aspectos históricos, culturais, sociais, comportamentais e de saúde mental. “É preciso o debate amplo, a troca de experiências e a união de setores para que possamos atingir nosso objetivo, que é ajudar a quem precisa”, ressaltou.
A programação da manhã prosseguiu com a mesa-redonda “Panorama Epidemiológico do Suicídio: Conhecer para Prevenir!”, coordenada pela psicóloga Mônica de Paula Silva. Participaram a médica Geysa Carvalho Mendes Silva, a enfermeira Mara Geralda Gomes Souza e a assistente social do Hospital Margarida, Rose Vasconcelos Ferreira Araújo, que abordaram dados nacionais, a realidade do território e a atuação hospitalar diante de situações de crise.
Uma rede, muitos olhares

No período da tarde, o simpósio foi retomado com uma apresentação do Coral do Centro de Convivência (Ceco), que proporcionou um momento de emoção e expressão por meio da música. O grupo é formado por conviventes do serviço, que se reúnem semanalmente para cantar. A oficina de coral, iniciada há cerca de quatro meses, é conduzida por Márcia Fonseca, gerente do CAPS IJ.
O momento cultural antecedeu a mesa-redonda “Uma rede, muitos olhares: a prevenção ao suicídio na perspectiva intersetorial”, coordenada pelo psicólogo Victor Dinalli Ornelas Iglesias. O debate reuniu o diretor da Escola Municipal Cônego Higino de Freitas, Fabrício Nereu Brandão; a psicóloga Adriana Ferreira Amorim da Silveira; e a médica Marcella Drumond Bicalho, com discussões sobre juventudes, escola, família, território, proteção social, acolhimento e escuta qualificada na Atenção Primária.
A programação foi encerrada com a mesa-redonda “Cuidar de Quem Fica e Fortalecer a Rede de Proteção à Vida”, coordenada pela bioquímica Arielle Reis. A psicóloga Polliana A. Prandini de Assis, a enfermeira Aruana de Andrade Magalhães Scolfield e a assistente social Pollyanne Cristina Cruz Patrício conduziram as discussões sobre sofrimento, luto e fortalecimento da rede de proteção, incluindo a posvenção, que corresponde ao cuidado e acolhimento oferecidos às pessoas enlutadas após uma morte por suicídio.
A terceira edição do evento reforçou que a prevenção ao suicídio é um compromisso coletivo e que diferentes setores podem contribuir para identificar situações de sofrimento, acolher e fortalecer a proteção à vida.
Segundo a rede municipal de Saúde Mental, a proposta é manter esse trabalho ao longo de todo o ano, fortalecendo vínculos e ampliando os espaços de escuta e cuidado. Como sintetiza a mensagem que encerrou o encontro: “Valorizar a vida é construir redes onde ninguém precise enfrentar o sofrimento sozinho.”


