A lotação do Pronto-Socorro do Hospital Margarida, em João Monlevade, não é explicada apenas pelo aumento da procura por atendimento. Segundo a direção do hospital, após questionamentos do A Notícia, houve um crescimento significativo no número de internações de pacientes de toda a região. No entanto, sem aumento correspondente no número de leitos ou de transferências. O resultado é a permanência de pacientes no próprio Pronto-Socorro enquanto aguardam um leito de destino ou uma vaga para transferência, conforme a Casa de Saúde.

De acordo com o Hospital Margarida, a média diária de internações está cerca de 50% acima da registrada em 2025. A situação acaba provocando retenção de pacientes no Pronto-Socorro, que funciona como local de permanência quando não há disponibilidade de leito para a continuidade do tratamento.

A unidade também registra uma demanda elevada por vários atendimentos. Atualmente, segundo o Margarida, são atendidos, em média, 173 pacientes por dia, com pico de 233 atendimentos em um único dia de agosto deste ano. Apesar do movimento, o hospital afirma que a maior parte dos pacientes não chega ao Pronto-Socorro em situações de emergência.

Conforme a casa de saúde, entre 80% e 85% dos pacientes que chegam ao Hospital apresentam queixas consideradas simples. Muitas, com vários dias ou até semanas de evolução. Segundo a instituição, parte dessas pessoas procura o Margarida porque não conseguiu atendimento ou solução para o problema em outros serviços de saúde.

Casos graves têm prioridade

Para garantir o atendimento prioritário a casos mais graves, mesmo em períodos de maior lotação, o atendimento segue uma classificação de risco. O Hospital Margarida utiliza o Protocolo de Manchester, sistema internacionalmente adotado para definir a prioridade dos pacientes de acordo com a gravidade de cada situação.

Segundo a direção, os casos classificados como vermelho e laranja recebem atendimento imediato. O hospital mantém ainda um médico em dedicação exclusiva à sala de emergência durante 24 horas por dia.

A sobrecarga, porém, pode repercutir em outras etapas do atendimento. Embora os casos menos graves não prejudiquem diretamente o atendimento inicial das emergências, setores como radiologia, laboratório e áreas administrativas atendem a toda a estrutura hospitalar. Com o aumento da demanda, essas etapas podem ficar mais demoradas.

Pronto-Socorro

A orientação do Hospital Margarida é que a população diferencie situações de urgência e emergência de problemas que podem ser acompanhados nas unidades básicas de saúde. Entre os sinais que exigem procura imediata pelo Pronto-Socorro estão dor súbita no peito, falta de ar intensa, desmaio, convulsão, confusão mental, sinais de acidente vascular cerebral (AVC), sangramento intenso e dor súbita muito forte. Em situações graves, a orientação é acionar o Samu, pelo telefone 192.

Já sintomas que apresentam evolução de vários dias ou semanas podem, em princípio, ser avaliados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) dos bairros. A lista inclui sintomas gripais, dor de garganta, febre, diarreia, vômitos, dores nos membros, sintomas de infecção urinária, enxaqueca e pressão alta sem sintomas. Também devem ser procurados preferencialmente os serviços básicos para situações como renovação de receitas, troca de curativos, retirada de pontos e vacinação.

O hospital ressalta que um quadro inicialmente simples pode se agravar. Nesses casos, a presença de sinais como falta de ar intensa, dor súbita no peito, desmaio, confusão mental ou outros sintomas graves muda a necessidade de atendimento e justifica a procura imediata pelo serviço de emergência.

Orientação

Diante do atual cenário, o Hospital Margarida recomenda que a população siga a lógica de regionalização e descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS). Pacientes com queixas simples devem procurar inicialmente as UBS. Moradores de outros municípios, por sua vez, devem buscar os serviços de saúde de suas próprias cidades. A orientação não significa deixar de procurar o hospital diante de uma situação grave. Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento de emergência ou acionar o SAMU pelo 192.

O Hospital Margarida não apresentou, na manifestação encaminhada ao jornal, uma previsão específica para a normalização do movimento. A direção reforça que a atual pressão sobre o Pronto-Socorro está relacionada a dois fatores simultâneos: o aumento da procura e, principalmente, a permanência de pacientes que aguardam internação ou transferência.