A consciência de classe nunca foi o forte de uma sociedade que pensa nela primeiro e não no conjunto da obra. A implantação de políticas públicas sérias que começaram depois da constituição de 1988 e tiveram ênfase com os partidos progressistas, atingiram diretamente uma camada da população mais vulnerável.
Pessoas que não tinham o básico para sobreviver, mas que deu acesso a todos que precisavam, independente de classe social. O método usado pela elite para desmerecer aqueles que precisam de qualquer benefício do governo, como cotas raciais para entrar em uma universidade e que tirou o direito do seu filho que estudou toda vida em uma escola particular, e não teve a competência de passar em uma Federal, fomenta a discriminação pelo direito de cotas para dar igualdade na disputa de vagas. O direito aos programas do governo é de inclusão para todos.
A consciência de classe proporciona tanto ao pobre e ao rico, a ter o mesmo atendimento pelo SUS e pegar remédios em Farmácias populares pelo Brasil. São direitos iguais para todos e dever do estado. Essa é a máxima que temos para tentar buscar uma posição igualitária na sociedade. Em um país tão desigual, as oportunidades nunca serão iguais para todos. Isso é pura utopia.
Existe o desafio de estar sempre correndo atrás daquilo que nos pertence por direito, devido aos impostos cobrados e que é dever do estado em devolvê-los em investimentos públicos de qualidade.
A frustração maior é quando precisamos acionar o judiciário para tentar sanar qualquer demanda, que prejudica os nossos direitos básicos. Aliás, um judiciário que vem sendo ao longo do tempo envolvido em todo tipo de corrupção, criando de forma incontestável várias inseguranças jurídicas nos poderes constituídos.
Isso afrouxou a confiança e deixou o país no “limbo jurídico”. A casta privilegiada por parte de alguns políticos e parte do judiciário não se importa com os menos favorecidos, desde que os seus rega bofes acompanhados de Whisky Macallan, charutos e garotas de programas estejam sempre garantidos.
Até onde vai a insignificância dos donos do poder com um povo tão sofrido? Pena que a nossa sociedade ainda não consegue ter consciência de classe e separá-la do ódio de classe.
É confrontar, às vezes, aquilo que eles nunca viveram. Muitas vezes, o tolerável torna-se o insuportável, e isso distingue porque temos um país subdesenvolvido onde a riqueza está nas mãos de poucos e, muitos que precisam, ainda aplaudem o seu algoz. São uns analfabetos intelectuais. Que pena!
As igrejas que normalmente são o último refúgio dos incautos, ainda contribuíram para essa polarização medonha, que assombra mais da metade da população. O ataque aos grupos de LGLBTQI+, aos negros, aos quilombolas chamados de “arroba” e aos indígenas que foram os primeiros a chegarem aqui e têm suas terras invadidas a todo momento.
E quando achamos que não pode piorar, a deputada estadual mais votada pelo estado de São Paulo diz que não existe feminicídio no Brasil, sendo que no primeiro trimestre de 2026 foram mais de 380 casos. E ainda, chama os índios de canibais. Absurdo total.
Portanto, não basta saber o que é consciência de classe, é preciso praticar e, por isso, a democracia é tão importante. Mais uma vez, temos a sensação de não saber o que nos espera num futuro próximo. Mas é preciso ser realista e autêntico, afinal, a sociedade é cúmplice inconteste de um sistema que oprime e causa desigualdade em grande escala.
Poderia ser menos duro nas palavras, mas a realidade em que vivemos é diferente daquilo que eu vivi e muitos viveram no passado. Respeito qualquer opinião contraditória, pois cada um vive o seu mundo. Mesmo que o seu mundo esteja virado de cabeça para baixo. “A omissão é o último refúgio dos covardes”. (Mahatma Gandhi).
(*) Sinézio Santiago é monlevadense e acompanha a política local


