(*) Sinézio Santiago

Seria estar punindo as futuras gerações, que talvez não terão o mesmo ânimo daqueles que conseguiram lutar bravamente para ter uma democracia plena. O voto contrário foi para que as futuras gerações saibam que a Constituição de 1988 é a Carta mais importante do país, que corrobora todos os nossos direitos e deveres na sua essência.

Mas a própria democracia quase nos traiu. A interferência escancarada das Big Techs a favor de um candidato deixou provas concretas do porquê devem ser regulamentadas. Quase entregaram para o país um presidente sem qualquer capacidade para administrá-lo. Seríamos testados novamente pelo sistema autoritário que essa turma adora implantar contra qualquer lei que os contrarie. Para eles, isso tudo significa patriotismo. Quanta hipocrisia!

Patriotismo é ver o Sr. Antônio Almeida e outros, com mais de 80 anos, empunhando uma bandeira e defendendo nas ruas a democracia. Infelizmente, a direita tradicional deixou-se engolir pelo extremismo exacerbado de um grupo que sempre almejou o poder. A alternância é essencial para que o país sempre se desenvolva junto com a sua sociedade.
Ela não consegue se reorganizar, e é preciso entender que ser conservador não tem nada a ver com extremismo. As futuras gerações saberão que poderíamos ter vivido uma era de terror e escuridão. Com todo o aparato nas mãos, como o Congresso, as Forças Armadas e novas indicações no STF, fariam uma interferência total nos poderes constituídos.

Mudanças na CLT, na Constituição, ataques às universidades, entrega de riquezas a países estrangeiros, da Amazônia Legal, exclusão das minorias, represamento de verbas para o SUS, aumento do mandato presidencial etc. Isso era falado pelo candidato sem qualquer pudor.

As igrejas serviram de trampolim para uma guinada teológica disfarçada de um candidato que demonstrava ser moderado. A CNBB chegou a fazer uma live com os cardeais, mostrando qual era o papel da Igreja na política. Mesmo assim, o arcebispo de Brasília entregou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida para Flávio Bolsonaro. Entregar uma imagem para um evangélico que não acredita em Nossa Senhora. Lamentável!

Isso gerou uma celeuma, e bispos e padres de outras correntes começaram a se posicionar abertamente em defesa da democracia, preocupados com o retorno extremista ao poder. Sabemos das divisões na Igreja Católica e, quando o bicho pega, são os bispos e padres progressistas que saem em defesa do povo oprimido e do bem comum. Os conservadores se omitem. Basta voltarmos ao passado para vermos quais foram os perseguidos.

Nas igrejas evangélicas, fizeram pior. Os pastores entregaram o púlpito ao candidato para fazer propaganda política sem qualquer constrangimento. Os que não apoiaram e seguiram outro caminho foram retaliados, como o pastor Otoni de Paula, que perdeu o mandato.
Outro caso grave na República é o sequestro das emendas parlamentares pelo Congresso, que continuou no governo Lula. O Executivo ficou engessado, negociando com uma maioria extremista e de centro que só aprovava projetos quando recebia algo em troca. E, convenhamos, venderam caro esses projetos.

Nós temos a obrigação de ensinar às futuras gerações que a corrupção é o mal maior e que é preciso combatê-la a qualquer custo, em ambos os lados, independentemente de partido. Até o STF, o guardião da Constituição, que deveria ser exemplo, tem ministros envolvidos em corrupção. Uma vergonha!

É preciso mostrar como é importante ser um país soberano e que a democracia deve ser sempre respeitada, e não confrontada. Nada pode estar acima da nossa Constituição. Nada!

(*) Sinézio Santiago é monlevadense e acompanha a política local