Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente no segundo turno das eleições 2026, disputadas neste domingo (25), e governará o Brasil por mais quatro anos. Com mais de 99% das urnas apuradas ele foi declarado vitorioso. Até então, ele obteve 64.108.864 votos em todo o país, que correspondem a 51,76% do total de votos válidos. Ele conseguiu reverter a vantagem obtida na primeira votação por Flávio Bolsonaro (PL), que desta vez ficou com a preferência de até então 59.745.429 eleitores brasileiros, que são 48,24% do eleitorado que votou validamente neste domingo.
Há três semanas, Flávio Bolsonaro havia conquistado a confiança de 56.104.503 cidadãos, ou 47,03% do total de votos válidos. Já Luiz Inácio Lula da Silva ficara com 53.879.538 votos, que foram 45,16% do total de brasileiros que se expressaram validamente.
Biografia
Luiz Inácio da Silva nasceu a 27 de outubro de 1945 em Caetés, então distrito de Garanhuns, no agreste pernambucano, sendo o sétimo dos oito filhos de Aristides Inácio da Silva e Eurídice “Lindu” Ferreira de Melo. Em 1952, ele e a família tomaram um pau-de-arara e rumaram em direção ao litoral paulista, onde Aristides já morava, em busca de mais oportunidades, e chegaram ao Guarujá. Em 1956, “Lula” mudou-se para a cidade de São Paulo.
Na infância e adolescência, Lula foi engraxate e vendedor ambulante e fez trabalhos braçais. Cursou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), tornou-se torneiro mecânico e começou a trabalhar em metalúrgicas. Em 1964, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho. Em 1971, sua primeira esposa, Maria de Lourdes, morreu durante a gravidez após dois anos de matrimônio, junto com o filho que esperava. Em 1974, casou-se com Marisa Letícia Rocco, com quem viveu até a morte dela, em 2017.
Sindicalismo e fundação do PT (1975–1985)
Lula foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975. Liderou as greves do ABC paulista entre 1978 e 1980, que desafiaram o regime militar e o arrocho salarial. Em abril de 1980, foi preso por cerca de 30 dias com base na Lei de Segurança Nacional. No mesmo ano, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), que reuniu sindicalistas, intelectuais, setores da Teologia da Libertação e militantes de esquerda. Em 1984, integrou a campanha das Diretas Já.
Carreira eleitoral (1986–2002)
Lula iniciou sua trajetória eleitoral em 1982, quando ficou em quarto lugar na eleição para governador de São Paulo, que foi vencida por Franco Montoro (PMDB). Quatro anos mais tarde, ele se elegeu deputado federal constituinte por São Paulo, sendo o mais votado do estado. Em 1989, disputou a presidência pela primeira vez e foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor. Nas eleições de 1994 e 1998, perdeu no primeiro turno para Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2002, na quarta tentativa, venceu José Serra no segundo turno com cerca de 61% dos votos válidos, depois de divulgar a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual se comprometia a respeitar contratos e a estabilidade econômica.
Primeiro e segundo mandatos (2003–2010)
Entre os pontos geralmente citados como realizações do período estão o Bolsa Família, criado em 2003 a partir da unificação de programas anteriores, e a redução da pobreza e da desigualdade. Também são lembrados os aumentos reais do salário mínimo, a expansão do crédito e do emprego formal e programas como ProUni, Reuni e Minha Casa Minha Vida. O país cresceu em boa medida graças ao ciclo de alta das commodities, e em 2007 foi anunciada a descoberta do pré-sal. A projeção internacional também aumentou, com atuação em BRICS e G20 e a escolha do Brasil como sede da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula deixou o cargo com aprovação muito alta.
As críticas e controvérsias do período giram em torno, principalmente, do Mensalão, escândalo de 2005 que levou o STF a condenar ex-ministros e dirigentes do PT, como José Dirceu. Lula não foi réu e afirmou não ter conhecimento do esquema. Críticos apontam ainda a dependência do boom de commodities, a expansão de gastos e de crédito e a aproximação com partidos do chamado “centrão”. Seus defensores respondem que houve responsabilidade fiscal no início do governo e uma inclusão social sem precedentes.
Retorno e terceiro mandato (2022–presente)
Em 2022, Lula derrotou o então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno, com cerca de 50,9% dos votos contra 49,1%, na eleição mais apertada da história recente. Em 8 de janeiro de 2023, uma semana após a posse, apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Entre os principais pontos do mandato estão a reestruturação do Bolsa Família, uma nova regra fiscal (chamada de “arcabouço”) e a reforma tributária sobre o consumo. O governo também retomou a agenda ambiental e sediou a COP30 em Belém, em 2025, além de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda no mesmo ano. Em dezembro de 2024, Lula passou por cirurgia após uma hemorragia intracraniana e retomou as atividades em seguida. Em 2025, o país viveu tensões comerciais com os Estados Unidos, ligadas a tarifas, e o STF condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O mandato também recebe críticas recorrentes sobre os gastos públicos, a inflação de alimentos, os juros altos, a relação com o Congresso, a política externa (como os posicionamentos sobre Venezuela, Rússia e Oriente Médio) e a oscilação da aprovação popular. Apoiadores, por sua vez, destacam os resultados em emprego e renda e a recuperação institucional após o 8 de janeiro.


