A primavera chegou e, com ela, começa a mudança no cenário climático de João Monlevade. Depois dos meses mais secos do inverno, a cidade se prepara para a volta das chuvas, período em que aumentam as preocupações com alagamentos, transbordamentos de córregos e deslizamentos de terra.
Questionada por A Notícia sobre as medidas adotadas para reduzir os riscos durante o período chuvoso, a Prefeitura afirma que vem realizando ações preventivas ao longo de 2026. Entre elas estão a manutenção de bacias de contenção, limpeza de córregos, desobstrução de bocas de lobo e redes pluviais e recuperação de trechos da infraestrutura de drenagem.
Mas, enquanto parte da estrutura recebe manutenção, intervenções consideradas importantes para o enfrentamento das chuvas ainda aguardam encaminhamentos. É o caso do desassoreamento do rio Piracicaba, no trecho que corta o Centro Industrial. Para essa ação, o município tomou emprestado R$10 milhões. Porém, de acordo com a Prefeitura, o processo licitatório encontra-se temporariamente suspenso, aguardando o licenciamento ambiental necessário para a execução dos serviços.
Segundo o Executivo, após a regularização do licenciamento e a retomada do processo licitatório, será possível estabelecer o cronograma de execução e a previsão de conclusão dos trabalhos. Por enquanto, não há uma data definida para o início ou o término da intervenção.
Manutenção
Por outro lado, segundo a Prefeitura, as bacias de contenção do Parque do Areão e do Velório Municipal passaram por quatro manutenções neste ano. Ao todo, foram retirados aproximadamente 690 metros cúbicos de material.
O município também informa ter realizado 16 ações de limpeza de córregos, abrangendo cerca de mil metros de extensão. As equipes fizeram ainda intervenções em pontos de entrada e captação das redes de drenagem e utilizaram equipamentos de hidrojateamento e sucção para serviços de limpeza e desobstrução. No Centro Industrial, foram realizados serviços em bueiros das ruas Tietê e Paraúna, apontadas pela Prefeitura como as principais vias do bairro.
Em toda a cidade, o Executivo contabiliza aproximadamente 650 metros de redes de drenagem pluvial limpos e desobstruídos, além de 65 bocas de lobo. Outros 251 metros de redes passaram por reforma, recuperação ou substituição. Desse total, 189 metros foram executados por empresa contratada e 62 metros diretamente pela Prefeitura. As intervenções envolveram tubulações com diâmetros entre 400 milímetros e um metro. A administração afirma que mantém o monitoramento dos pontos considerados críticos e realiza os serviços de acordo com as condições verificadas em campo e as demandas identificadas pelas equipes.
Fiscalização
A prevenção também passa pela fiscalização da movimentação de terra. Questionada sobre imóveis e loteamentos que possam contribuir para o carreamento de solo para as vias e redes de drenagem, a Prefeitura informou que dez empreendimentos ou responsáveis foram alvo de medidas administrativas em 2026.
Segundo o Executivo, foram lavrados oito Autos de Infração, com emissão ou previsão de emissão do Documento de Arrecadação Municipal (DAM), além de duas notificações com exigências de adequação e prazo para atendimento. A fiscalização, segundo a Prefeitura, faz parte das medidas preventivas para reduzir o carreamento de solo e os riscos relacionados a deslizamentos durante o período chuvoso.
As ocorrências foram registradas em diferentes regiões, entre elas Tanquinho, Santo Hipólito, Nova Esperança, Petrópolis, Tanquinho II, Campos Elísios, Cruzeiro Celeste e trechos próximos à BR-381.
Campanha
Além das obras e dos serviços de manutenção, a Prefeitura lançou nesta semana a campanha “João Monlevade Preparada: Informação que previne. Atitudes que protegem”. A iniciativa pretende orientar os moradores sobre como agir diante de chuvas intensas, tempestades, ventos fortes, raios, períodos de calor, alagamentos e riscos em áreas de encosta.
Os conteúdos serão divulgados principalmente pelas redes sociais do município, em formatos como vídeos curtos, cards e carrosséis. Entre as orientações estão cuidados com telhados, calhas, ralos e quintais, prevenção de alagamentos, proteção durante tempestades e preparação da família.
A campanha também pretende explicar a diferença entre previsão, aviso meteorológico e alerta, reforçando que uma previsão indica uma tendência e não significa que determinado fenômeno necessariamente ocorrerá em um ponto específico. Outra iniciativa será o quadro “Manda no Grupo”, com materiais preparados para serem compartilhados em grupos de familiares, amigos e comunidades.
A Prefeitura também destaca atitudes que dependem diretamente dos moradores, como não jogar lixo em ruas e bueiros, dar a destinação adequada a resíduos e entulhos e manter limpas as áreas de escoamento. A proposta, segundo o Executivo, é fortalecer uma cultura de prevenção e ampliar o acesso da população a informações confiáveis antes, durante e depois de eventos climáticos.


