Há dez anos, a história da Idealpan cabia em cerca de setenta metros quadrados. Hoje, ela prepara uma área de quase sessenta mil metros. É essa a distância que separa a então pequena padaria de bairro que Paulo Cota herdou da experiência de família, do novo complexo industrial que ele agora projeta erguer em São Gonçalo do Rio Abaixo.

O novo investimento, conforme reportagem do jornal Diário do Comércio, é de aproximadamente R$40 milhões. O plano é uma nova unidade com fábrica, centro de distribuição e linhas de produção que vão além do tradicional pão de queijo, carro chefe da empresa.  As obras, conforme noticiado, devem começar entre janeiro e fevereiro do ano que vem. Mas Paulo Cota é cauteloso ao falar do assunto. “Estão faltando alguns trâmites de contrato, que nós estamos analisando”, diz

Rápida expansão

Se existe um retrato do tamanho desse crescimento, ele está numa área de produção inaugurada em agosto do ano passado, para dar fôlego à empresa. Porém, bastou menos de um ano para que ela chegasse ao limite. Os números explicam a rápida expansão. Entre 2024 e 2025, o faturamento da empresa cresceu cerca de 70%, segundo dados divulgados pelo jornal Diário do Comércio. Em 2026, a curva não desacelerou e a expectativa é de fechar o ano com receita próxima de R$150 milhões. Porém, com o novo investimento na cidade vizinha, o plano é que o faturamento chegue à faixa de R$ 250 milhões já no primeiro ano de operação, outro salto de aproximadamente 67% sobre a previsão para 2026.

Por trás dessas porcentagens, uma rotina industrial que produz quase 50 toneladas de pão de queijo e outros produtos. Cerca de 300 funcionários atuam na produção da empresa que tem frota própria de 60 veículos e carretas circulando por 14 estados, entregando em mais de 5 mil pontos de venda Brasil afora.

Além do pão de queijo, a nova planta deve produzir outros congelados, como salgados e pães, ampliando um portfólio que até pouco tempo atrás cabia numa única categoria.

Logistica

A chegada a São Gonçalo integra os planos futuros da empresa, que busca um espaço com mais logística. A atual fábrica está instalada num ponto alto de João Monlevade, perto do Posto 5 Estrelas. O local, segundo Paulo Cota, dificulta o trânsito de carretas grandes. Já o terreno em São Gonçalo do Rio Abaixo tem a vantagem de ser plano, além de acesso direto e facilitado à BR-381. “A ideia de São Gonçalo veio dessa necessidade de ter espaço para crescimento, não só espaço, mas também uma estratégia logística para a gente”, resume o empresário.

Mudança gradual

Porém, conforme Paulo, a Idealpan não pretende desativar a fábrica da cidade de um dia para o outro. “A ideia é levar a planta fabril para lá, mantendo uma planta aqui, para futuramente, centralizar tudo lá. Mas não deve mudar tudo de imediato”, explica. Ou seja, João Monlevade continua no mapa da Idealpan, pelo menos por enquanto.

Outros horizontes

Enquanto negocia os últimos detalhes contratuais com o município vizinho, a empresa já mira um horizonte maior. Com a certificação IFS Progress, um selo internacional de qualidade e segurança alimentar, a Idealpan avalia entrar em mercados como Estados Unidos, Emirados Árabes e China.

História

Paulo Cota é formado em Sistemas de Informação pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Passou pela ArcelorMittal como trainee, fez um intercâmbio na Nova Zelândia e, em 2015, abriu uma padaria de cerca de 70 metros quadrados.

O pão de queijo entrou na história quase por acaso, depois que o fornecedor do produto deu problema. Cota decidiu produzir por conta própria. Sem dinheiro para a primeira máquina, recorreu ao pai. Em seis meses, a produção já tinha saído da padaria e ocupava um galpão no quintal da casa dos pais. Em pouco mais de um ano, tomava um quarteirão inteiro. Hoje, a empresa soma quase 10 mil metros quadrados de área própria  e ainda assim precisa de mais seis vezes esse tamanho para o próximo passo.

É uma trajetória que ajuda a entender a serenidade com que Cota fala do investimento de R$ 40 milhões. Perguntado sobre o momento da empresa, ele resume em três palavras, sem cerimônia: “Vamos para cima.”