(*) Erivelton Braz

Num encontro na sede da Amepi, neste ano, Eduardo Quaresma, com aquele sorrisão dele, me pediu para tirar uma foto abaixo do quadro que homenageia sua mãe, Dona Alice. Naquele momento, era apenas uma fotografia e tirei sem imaginar que um dia, ela ganharia outro significado. Hoje, olhando para a foto, penso que Eduardo me pediu, sem saber, que guardasse ali um pequeno pedaço de eternidade.

Ele faleceu na última semana, deixando meio órfãos, centenas de amigos. Cada um convivia com um Eduardo diferente. Afinal, ele era muitos: o engenheiro, o Eduardo “da Amepi”, o pai “das meninas” Júlia e Ana, o marido apaixonado por Cida, o religioso devoto de São José e São Judas Tadeu, o bom vizinho, o atleticano, o consultor de prefeitos, o parceiro das confrarias e das longas conversas no balcão do antigo Kib’s Bar do Marquinhos…

Eduardo não era um. Era vários! E talvez essa seja uma das medidas de uma vida bem vivida: caber de maneiras diferentes na memória de tanta gente. A minha história com ele, por exemplo, passa pela “nossa UFV”, como ele se referia à Universidade Federal de Viçosa. Eduardo se formou em 1984, quando eu tinha apenas dois anos. Eu me formei lá em 2005. Vinte anos nos separavam, na vida e na formação.

Anos depois, nossos caminhos se encontraram na Amepi. Eduardo, que tinha sido chefe do meu amado tio Inácio durante a construção da sede da entidade, mais tarde, foi meu chefe também. Em 2010, trabalhamos juntos na implantação do Núcleo Ambiental José Antônio Simas. Eu fiz o projeto pedagógico e Eduardo comandou as obras. Naquele ano, fizemos muito. Trabalhamos juntos na organização dos 25 anos da Amepi, implantamos uma Assessoria de Comunicação na entidade, entre outras tantas ações.

Nossas conversas eram sempre em torno dos desafios das cidades. Falávamos de mobilidade e planejamento urbano, política regional, desenvolvimento econômico, patrimônio cultural e do Galo. Sempre. Eduardo queria ver uma região com cidades mais planejadas, organizadas, humanizadas e com respeito à mobilidade. Acreditava no futuro do Médio Piracicaba e tinha muitas ideias.

E, no meio de tudo isso, sempre havia espaço para uma piada. Ele tinha uma voz forte e uma risada impossível de ignorar. E ele sabia estender a mão com generosidade. Quando assumi a editoria do A Notícia, abri espaço para suas ideias, sempre convidando-o para escrever, o que resultou em dezenas de artigos que foram publicados ao longo dos anos. Recentemente, convidei-o para o Erivelton Braz Entrevista. Queria ouvi-lo novamente, contando histórias da região. Não deu tempo. A morte tem esse jeito cruel de chegar, interrompendo planos, viagens e tira da gente a convivência de quem gostamos de forma abrupta. A gente sempre imagina que haverá outro dia. Às vezes, não há. Mas ficam as histórias, as risadas, as piadas, as memórias das conversas. Afinal, “amigo é coisa para se guardar”.

Nesta semana, o Galo venceu o Cruzeiro de virada. Ele vibraria, mas desconfiado, criticaria algum jogador e mandaria mensagens a todos os atleticanos. A amizade também tem dessas pequenas coisas…

E lembro aqui de “Love in the Afternoon”, da Legião Urbana: “Os bons morrem antes.” É clichê, eu sei. Mas Eduardo se foi cedo demais e vai fazer muita falta. Até a próxima vez, Dudu. Valeu!

(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação