“Quem decide apenas pelo achismo já ficou para trás”. A frase resume a visão do empresário e pesquisador Adilson Simeão, diretor executivo da SuperDados/DataMG, durante entrevista concedida ao jornalista e editor do A Notícia, no quadro “Erivelton Braz Entrevista”.

Com mais de duas décadas de experiência em pesquisas de opinião e inteligência de mercado, Simeão falou sobre a evolução da análise de dados no Brasil. Ele comenta ainda a influência das pesquisas nas decisões públicas e privadas e os desafios da Inteligência Artificial em um mundo cada vez mais orientado por informações.
À frente da SuperDados, empresa que sucede a tradicional DataMG, Simeão explica que o trabalho vai muito além das pesquisas eleitorais. Hoje, a empresa atua com inteligência territorial, cruzando dados econômicos, demográficos e de comportamento para auxiliar empresas e gestores públicos na tomada de decisões.

“Exame de laboratório”

Para explicar como funciona uma pesquisa de opinião, Simeão recorre a uma comparação simples: “É como um exame de sangue. O laboratório não retira todo o sangue do paciente para saber como está sua saúde. Uma pequena amostra, desde que corretamente coletada, é suficiente para representar o organismo. Com as pesquisas acontece exatamente a mesma coisa”.

Segundo ele, a estatística é baseada na repetição e na representatividade da amostra. Quanto mais rigor metodológico existe na coleta dos dados, maior é a confiabilidade dos resultados. Ele também faz questão de desfazer um dos principais equívocos sobre pesquisas eleitorais. “Uma pesquisa nunca prevê o futuro. Ela registra a fotografia daquele momento. O eleitor pode mudar de opinião até a véspera da eleição”, afirma.

Inteligência territorial

Se antes as pesquisas serviam apenas para medir opinião, hoje elas ajudam a definir investimentos milionários. Um dos exemplos citados por Simeão é a instalação de uma unidade do Burger King na região. Segundo ele, a escolha não foi feita por acaso nem baseada apenas na percepção de que o centro comercial de Carneirinhos concentrava maior movimento. Estudos sobre fluxo de veículos, potencial de consumo e comportamento da população indicaram que o melhor ponto seria às margens da BR-381, estratégia semelhante à adotada pela rede em cidades como Manhuaçu e Muriaé. “Hoje, grandes empresas escolhem onde investir analisando dados. Não é uma decisão baseada apenas na intuição”, explica.

Esse conjunto de informações, conhecido como inteligência territorial, considera indicadores econômicos, mobilidade urbana, renda, perfil do consumidor e tendências de crescimento para reduzir riscos e aumentar a eficiência dos investimentos.

Política também é ciência de dados

Embora a DataMG tenha se tornado conhecida pelas pesquisas eleitorais, Simeão afirma que compreender o comportamento do eleitor exige muito mais do que acompanhar intenções de voto. Ao comentar o cenário político de João Monlevade, ele observa que o município possui uma característica diferente de muitas cidades da região.

Enquanto municípios vizinhos costumam concentrar a disputa em dois grupos políticos, Monlevade mantém, historicamente, três ou quatro forças competitivas, tornando o ambiente eleitoral mais dinâmico. Na avaliação do pesquisador, o eleitor monlevadense também apresenta um perfil próprio, marcado por forte espírito empreendedor e valorização da liberdade econômica. Essa característica ajuda a elucidar resultados aparentemente contraditórios, como a eleição de representantes de diferentes correntes ideológicas. “Isso explica que mesmo a cidade tendo eleito Laércio (PT) como prefeito, o então ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) venceu no município”, relembra.

O sonho do “Vale do Ferro”

Além do mercado de pesquisas, Simeão acredita que o Médio Piracicaba reúne condições para se tornar um polo de inovação tecnológica. Sua proposta é transformar a região em um “Vale do Ferro”, inspirado no Vale do Silício norte-americano, reunindo universidades, empresas de tecnologia, startups e profissionais especializados em inteligência artificial e ciência de dados. A ideia é aproveitar a tradição industrial da região para desenvolver soluções tecnológicas voltadas à mineração, siderurgia, logística, saúde e gestão pública.

Inteligência Artificial como ferramenta

Ao falar sobre o futuro, Simeão deixa um conselho especialmente para os jovens. Na sua avaliação, a Inteligência Artificial não deve ser encarada como um fim em si mesma, mas como uma ferramenta capaz de ampliar a capacidade humana de interpretar informações e resolver problemas.

Ele acredita que profissões ligadas à análise de dados terão espaço crescente em áreas como saúde, esporte, indústria, biomedicina e administração pública. “A inteligência artificial produz respostas. O diferencial continuará sendo das pessoas capazes de fazer as perguntas certas e interpretar os dados para tomar boas decisões”, declara.

Para Adilson Simeão, esse é o caminho de um mundo em que a informação passou a ocupar um papel estratégico: “Cada vez mais, governos, empresas e instituições deixam de decidir pelo achismo para agir com base em evidências. E essa transformação já está em curso”. Confira a entrevista completa acessando o link: https://www.youtube.com/@ANoticiaRegional