(*) Mércia Cardoso

Na quarta-feira (2), foi celebrado o Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo. A data, estabelecida em 2007, é um marco e tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas pelo transtorno.

Em João Monlevade, temos avanços importantes a comemorar em relação ao autismo. Foram aprovadas leis essenciais, como a instituição do Dia Municipal de Conscientização do Autismo, a carteirinha do autista e a obrigação do símbolo do autismo em placas de atendimento prioritário. Essas conquistas refletem a luta das famílias atípicas por melhorias para seus entes queridos.

No entanto, ainda enfrentamos desafios. Muitas mães relatam à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de João Monlevade a dificuldade de acesso a avaliações neuropsicológicas e consultas com neuropediatras na cidade. O diagnóstico não é uma limitação, mas um ponto de partida para uma melhor qualidade de vida e compreensão de cada caso.

Outro obstáculo é a escassez de profissionais para terapias essenciais em João Monlevade. A Apae enfrenta dificuldades na contratação devido à falta de especialistas e à concorrência de instituições que oferecem salários mais altos. A educação também é um ponto crítico: a rede municipal não conta com professores de apoio, comprometendo o desenvolvimento de alunos com necessidades especiais. Embora os monitores se esforcem, uma abordagem estruturada com profissionais adequados seria mais eficaz.
Na assistência social, buscamos promover a autonomia das pessoas com deficiência, fortalecendo seus laços familiares e sua independência. No entanto, a Apae sobrevive de doações e parcerias, cuja continuidade é incerta, tornando a manutenção dos serviços um desafio constante.

Como presidente da Apae e mãe de um autista, considero que o maior desafio hoje é o esgotamento mental das famílias atípicas. Muitas mães vivem em constante preocupação com o futuro de seus filhos, sem um suporte adequado. Estudos indicam que o estresse enfrentado por essas mães é comparável ao de soldados em guerra. Portanto, é necessário fortalecer redes de apoio e desenvolver programas que auxiliem essas famílias. Sobretudo, as mães, que são quem geralmente carregam maiores fardos na criação e educação de seus filhos.

Gostaria aqui de conscientizar quem ainda não teve contato com pessoas com deficiência. Evite frases como “Nem parece autista” ou “Ele tem uma doença”. O autismo é um transtorno, não uma doença, e a terminologia correta é “pessoa com deficiência”, não “portador de necessidades especiais”.

Neste Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, além de usar azul e compartilhar mensagens, reflitamos sobre como tornar a inclusão uma realidade. Pessoas com deficiência têm sonhos e habilidades que precisam ser respeitados. Que possamos construir uma sociedade mais justa para todos. Parabéns a todas as famílias que nunca desistem de lutar!

 

(*) Mércia Cardoso é presidente da APAE de João Monlevade