Desde 1984
Valéria Jacintho
09 de Dezembro de 2022
Alerta vermelho para os vírus da paixão

O mês de Dezembro é considerado Dezembro Vermelho. Não apenas do Natal. Mas pela chamada importante aos cuidados com as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s). Além disso, o dia 1º de dezembro é considerado Dia Mundial de Combate à AIDS. Mas você sabe a origem das IST’s? Vem comigo, que explico neste artigo. 
As IST’s formam um grupo de doenças de transmissão predominantemente sexual. Antes, o termo era chamado de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), mas foi abolido em novembro de 2016. Essa mudança ocorreu devido ao reconhecimento de sintomas que não são visíveis, pois a palavra doença refere-se apenas a sintomas reconhecíveis. 
O primeiro caso de IST relatado na literatura ocorreu em 1509, na Alemanha, acometido por um soldado recém-chegado da Itália. Há descrição por parte dele “de feridas parecidas com furúnculos que formavam bolotas e que se espalhavam pelo corpo e que ardiam muito”. Esse moço viveu 10 anos com a moléstia. Àquela época, a Europa recuperava-se da Peste bubônica, também conhecida como Peste Negra. Esse mal dizimou 1/3 da população, advindo daí, muita especulação dessa nova e desconhecida doença. 
Somente décadas depois, finalmente, foi feita a correlação com o ato sexual. Isso, porque percebia-se que as crianças e idosos eram poupados das lesões de pele e dor nos ossos. Os casos estavam presentes em prostíbulos e castelos, até em igrejas e santuários. Tanto que se atribui à sífilis, as mortes dos Papas Alexandre VI e Júlio II, além do Imperador Carlos V, da França. 
Ao fim, um médico francês sugeriu chamá-la de “doença venérea” por acreditar que a causa principal era o ato sexual que, ligado “à deusa” romana do amor: Vênus. Não demorou muito e a sífilis foi considerada um castigo de Deus pelos pecados acometidos pela sociedade. Dessa forma, o primeiro tratamento era se arrepender e rezar por proteção divina.
Não muito diferente, também considerado consequência do pecado carnal, a sociedade reagiu com alarde e preocupação ao surgimento da AIDS, séculos depois, em 1985. A síndrome foi denominada erroneamente de “Peste Gay” em virtude do grande número de homossexuais acometidos. Porém, com grande velocidade, os casos logos espalharam-se entre héteros, não ficando somente restrito a um segmento da sociedade.
As ISTs são transmitidas por contato sexual: oral, vaginal ou anal. O uso de preservativos, como a camisinha, é de suma importância em todas as relações sexuais por aplicar a proteção necessária afim de evitar infecções deste cunho. Até o momento, existem cerca de 13 tipos de doenças, as quais possuem os mais variados sintomas. No entanto, muitas são assintomáticas, o que é muito perigoso, pois isso dá uma falsa sensação de segurança.
O Ministério da Saúde aponta que  41,9% dos casos são causados por vírus e 14,4% por bactérias, o restante por protozoários, fungos e outros. O Vírus mais prevalente na população é o HPV que pode levar ao aparecimento de verrugas genitais ou até mesmo ao câncer de colo uterino. Há também o vírus das hepatites B e C, para citar alguns.
Assim, o mais importante é saber que essas infecções estão por aí e qualquer um de nós corre o risco de pegá-las, se não usarmos preservativos, mesmo mediante de muita paixão. Sempre brinco que a paixão é o maior contribuinte das ISTs. Neste momento, esquecemos de tudo que é racional para podermos desfrutar de breve momento de luz, raio, estrela e luar. Sejamos felizes, mas com responsabilidade conosco e com os outros. 

 

(*) Valéria Jacintho é médica em João Monlevade