Desde 1984
Anliy Natsuyo
08 de Julho de 2022
A importância da Feira de Economia Popular Solidária
A Feira Regional de Economia Popular Solidária (Feira EPS), retomada em abril deste ano, após a pandemia, é um espaço de exposição e comercialização de produtos e alimentos artesanais e da agricultura familiar produzida de forma autônoma por empreendedores que ficam à margem do grande mercado. Além de ser uma oportunidade de comercialização dos produtos, a Feira EPS, que é gerida pelos próprios feirantes, é um ambiente de socialização, que possibilita a realização de novas conexões e amizades.

A iniciativa em João Monlevade teve origem no movimento do Fórum Mineiro de Economia Popular Solidária, contando com a organização de 13 fóruns regionais e do Fórum Regional de Economia Popular Solidária do Médio Piracicaba. A primeira Feira em João Monlevade ocorreu em 2016 e, de forma regular, mensalmente, a partir de 2018.

A organização e a gestão da Feira EPS feitas, principalmente, por membros da Associação dos Artesãos e Produtores de Alimentos Caseiros de João Monlevade e Região, a Solidariarte. O grupo busca disseminar os princípios da economia solidária como cooperação, colaboração, autogestão e democracia tanto na organização da feira como na associação.

A interrupção das feiras presenciais trouxe inegáveis impactos semelhantes a outros sofridos em diversos setores da economia. No entanto, a Feira EPS mostrou a importância da cooperação e da solidariedade entre todos. Assim, o grupo passou a realizar reuniões de forma remota com apoio de entidades como o Cáritas e a Ufop. Através de um projeto de extensão para a realização de formações, a redação de um regimento interno e o desenvolvimento de estratégias para a organização e fortalecimento do grupo.

No processo de organização e realização da Feira EPS uniram-se os feirantes da Agricultura Familiar, que realizam a feira aos sábados. Isso envolveu a assimilação dos princípios de autogestão e cooperação por parte dos produtores da agricultura familiar. A união é um desafio e uma oportunidade de aprendizado para o desenvolvimento de uma forma econômica mais justa, resiliente e sustentável.

A retomada, no entanto, teve atrasos porque dependia da definição de um novo local para a sua realização, já que nas praças, onde eram realizadas, não era mais possível. Assim que ficou definido novo espaço, próximo à igreja Sagrado Coração de Jesus, que também tem dado apoio fundamental para a sua consolidação, foi realizada uma feira de maior porte, com recursos públicos e mais estrutura.

A realização é oportunidade de empreendimento coletivo e colaborativo. A iniciativa tem mostrado a cada participante a força da união e que deu para a cidade, acesso aos produtos artesanais e da agricultura familiar. Além disso, um ponto de lazer para as famílias, pois as feiras contam com barracas de alimentação e, em geral, com apresentações artísticas e espaços de recreação para crianças.

Diversas foram as reuniões e feiras que participei com o grupo e, a cada dia, fico mais entusiasmada com a forma com que o grupo tem amadurecido para realizar a gestão. Mas, bem mais que isso, vejo a importância da socialização, uma das consequências da participação no evento. Perguntei a uma feirante após a feira de abril sobre a quantidade de vendas. Com um grande sorriso que não via há tempos, a artesã disse que não se importava com isso por enquanto, pois o mais importante para ela, é que estar de volta à Feira era a realização de um sonho.

(*) Anliy Natsuyo Nashimoto Sargeant é graduada em Ciências Econômicas, doutora em Matemática e professora da Ufop