Desde 1984
Marco Martino
05 de Março de 2021
O que podemos fazer pela 381?

Escrevo sobre a BR 381 há muitos anos. Depois de décadas de espera, parte da rodovia foi duplicada e dá pra gente experimentar como será fantástico quando estiver tudo duplicado. Mas como também previsto por muitos, já dá pra percebermos que se não houver uma profunda mudança de mentalidade, teremos o fim dos óbitos nas colisões frontais, mas teremos outras modalidades de mortes. 

E tem outra coisa que precisa ser levada em consideração: a BR ainda vai demorar um bom tempo pra ter seu trecho mais perigoso duplicado e o comportamento dos motoristas tem sido o pior possível. O pessoal não suporta esperar pra ultrapassar e mete as caras. É claro que isso não dá certo. A duplicação tá andando, o governo projeta novas licitações para o primeiro semestre, mas definitivamente, não vai resolver todos os problemas. Aí é que está! O que nós cidadãos podemos fazer? Somos viciados em esperar que outros resolvam os problemas por nós. 

Esperamos dos governos, dos nossos pais, dos amigos, de Deus. E aí? Vamos continuar na passividade ou vamos agir? Que tal despertarmos a consciência cidadã e assumimos responsabilidades? E aí vem um pessimista e diz: - Ah, mas falar é fácil! Quero ver é fazer. E o pessimista não está errado. Realmente entre o pensamento e ação, um abismo. Mas precisamos atravessar esse abismo. Vamos construir pontes então. E o que podemos fazer?

Para começo de conversa, como já chegamos à conclusão de que duplicar apenas não é a solução, precisamos educar e reeducar o usuário de forma perene, para que aprenda a dirigir de forma responsável. Precisamos de uma campanha publicitária, também perene de “tolerância zero” com os infratores, com multas pesadas para quem infringisse. O impacto psicológico seria forte. As pessoas detestam ser multadas e perder dinheiro. Seria importante um sistema de fiscalização eficaz. Parece que temos deficiência nessa questão de tecnologia. Mas a simples ameaça já faria os megavelozes do Brasil pensarem duas vezes. Outra coisa: de km em km deveriam ser dispostas carcaças de carros batidos pra lembrar o povo do quanto a estrada é perigosa e mortífera. Cruzes também ajudariam. Outdoors também nos pontos de parada. 

Seria importante também que as fábricas diminuíssem espontaneamente a velocidade de seus produtos. Mas isso parece descartado. Outra coisa legal que poderia ser feita seria um aplicativo exclusivo para a BR 381, onde as pessoas poderiam acompanhar a própria viagem, com marcação das curvas mais perigosas, avisando sobre os problemas no trajeto, desvios quando fossem necessários. Poderia ser tentado um convênio com a Waze, Uber ou 099. Mas para que isso tudo aconteça precisa de um elemento aglutinador capaz de juntar essas pontas todas e o nome desse elemento é vontade política. Mas essa vontade política muitas vezes se faz quando o clamor popular é forte.

E aí? Quem está disposto a participar de um movimento pro-381? Seria muito legal se conseguíssemos abrir um canal de diálogo com o Ministério dos Transportes e Infra-estrutura, com o competente ministro Tarcísio para colocarmos pra eles essas questões. O trabalho que ele está realizando é grandioso. Mas no caso da BR 381, antes de tudo, precisa educar e disciplinar o usuário. Pensei num movimento na BR, não de rebeldia e insubordinação, mas um marco simbólico, para levantarmos ideias e repassarmos para o ministro Tarcísio, que parece ser bem razoável e democrático. Quem topa participar? Vamos marcar?


(*) Marcos Martino é compositor e ativista cultural