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Coxia
26 de Fevereiro de 2021
Coxia 2622

Imoral

Vereadores de Monlevade propuseram, na semana passada, projeto de Lei que cria mais 16 cargos de assessoria para atender aos parlamentares. Cada um já possui um assessor, inclusive o presidente. Se aprovado, cada vereador teria dois assessores, que custariam aos cofres públicos, mais de R$1 milhão por ano. Em tempos de pandemia e de dificuldades financeiras, a medida soa descabida e imoral.


Ilegal

Após entrar para a leitura e antes mesmo da análise de comissões competentes, o procurador jurídico da Câmara disse que a medida é ilegal, já que fere Lei que não permite criação de cargos em virtude da pandemia e que vigora até 31 de dezembro deste ano. O parecer jurídico caiu como luva, já que o projeto recebeu sonoras críticas da maioria da população. 


Enquete

Enquete do Jornal A Notícia sobre o assunto apontou que 92% dos entrevistados foram contra o projeto. Além do jornal, nas redes sociais, grande parte dos usuários criticaram o projeto de criação de mais assessores para atender os vereadores do município. 


Contra

Vale lembrar que 10 vereadores assinaram o pedido, mas cinco não aderiram ao projeto: Bruno Cabeção (Avante), Tonhão (Cidadania), Gustavo Prandini (PTB), Percival Machado (PDT) e Thiago Titó (PDT). Informações de bastidores dão conta que Andrea da Saúde (PTB), apesar de ter assinado a favor, na hora de votar, seria contrária à medida. 


Defesa

Nesta semana, o vereador Marquinho Dornelas (PDT) defendeu veementemente a criação dos assessores, mesmo sendo a medida ilegal e imoral. Ele insistiu na necessidade da contratação e comparou Monlevade com outras cidades que possuem mais assessores que aqui, como Itabira e Ipatinga. 


Convenceu

Enquanto isso, o presidente do partido de Dornelas, o médico Railton Franklin, é ferrenho crítico da proposta e já declarou publicamente que conversaria com os vereadores do PDT a votarem contra. Pelo visto, não conseguiu convencer Marquinho Dornelas que segue firme na defesa do projeto. Dornelas ainda disse que a Câmara vai deixar de investigar R$240 milhões no município, já que estaria pouco estruturada sem os novos assessores. Ora, não foi para isso que foram eleitos os 15 representantes do povo?


Acredita

Pelo tom de alguns vereadores que defendem a medida, a proposta deverá ser apresentada novamente em momento oportuno, quando os entes públicos estiveram aptos a contratar novamente. Alguém duvida que esse projeto volte à pauta no ano que vem?


Charge

Repercutiu muito uma charge publicada nas redes sociais em alusão à proposta de se criar mais 16 cargos de assessores parlamentares na Câmara de Monlevade. O desenho, assinado por 'Capissoba', traz um close das partes íntimas de uma mulher com os dizeres: 'Opa, quero ser assesssora da Câmara'. 'Se rolar, o pau vai comer'. A Câmara reagiu com nota de repúdio, aprovação também de Moção de Repúdio contra o autor e representação junto à 4ª Delegacia Regional de Polícia Civil. A veiculação da charge foi considerada uma violência contra as servidoras da Câmara de João Monlevade.


Tribuna

A presidente da Associação Mulheres em Ação de João Monlevade (AMA-JM), Elivânia Felícia Braz, usou a Tribuna Popular da Câmara nesta semana e abordou o assunto. Ela parabenizou a Câmara Municipal pelas tomadas de medidas imediatas ao caso e destacou que a AMA-JM também emitiu nota de repúdio contra a violência sofrida, no mesmo dia da publicação da charge. Além disso, Elivânia classificou a charge de machista e uma afronta a todas as mulheres. 


Expressão

Procurado, o chargista Carlos Coelho, o Capissoba, disse que usou sua liberdade de expressão e que não quis depreciar ninguém. Ele reiterou que o seu desenho é uma charge comum, semelhante a muitas que circulam pela internet. Ele assinala ainda que não mencionou nomes ou especificou a qual Câmara se referia o desenho.