Desde 1984
Alessandra Telles
19 de Fevereiro de 2021
A pandemia e suas máscaras

Ok, o assunto é recorrente, estamos cansados, chegamos a encolher os dedos dos pés quando ouvimos sobre Covid-19. Saturados, esse é o termo. No início fiquei em câmera lenta, sem entender muito a imensidão do problema. Depois surtei, com crises de pânico, ansiedade e medo. Não fui a única, estou certa disso. Aí veio a loucura das aulas online (como aprendemos a valorizar mais os professores, certo?).

E o home office. Ah ... o sonhado home office. Esse sim foi um grande desafio, exige disciplina e foco, senão terminamos o dia com aquela sensação de ter feito muito e não ter entregue nada.

Aos solavancos, o cenário foi desanuviando. Penso que de alguma forma, aprendemos muito. Foi necessária uma mega pandemia para nos ensinar sobre responsabilidade social, altruísmo e o quanto estamos propensos aos adventos externos, entendemos mais sobre fragilidade.

Precisou de uma mega pandemia para valorizarmos o coletivo, buscar autoconhecimento e ressignificarmos atitudes. Já se perguntaram porque as crianças são imunes? No meu ponto de vista, diante de toda a inocência, elas enxergam todos como iguais.

Nunca fui a pessoa mais adepta aos shoppings, mas depois de meses de isolamento social, decidi dar uma volta. Queria comer um prato específico, de um restaurante específico, que só tem em um shopping específico.

Parecia que estava em outra dimensão. O lugar estava escuro, vazio. Sem aquele tanto de gente tropeçando nas escadas rolantes, sem filas para o sorvete, sem fila para o cinema, o elevador chegava no momento que acionava. Saudade de pagar uma fortuna no ingresso do cinema, e outra maior ainda pela pipoca salgada.

O dono do restaurante, os garçons, a moça da balança, todos fazendo aquele esforço para serem simpáticos, com aquele olhar de “não posso perder esse cliente”. Olhei para o arroz com lentilha e mesmo já tendo passado o Ano Novo, pensei: tomara que esse arroz com lentilha traga mesmo, muita prosperidade. Quantos perderam seu sustento? A comida ficou sem gosto, o quente ficou frio. 

A boa notícia diante disso tudo é que a vacina chegou ao Brasil e seguindo o plano de imunização. Antes tarde do que nunca. Que a distribuição equitativa seja respeitada, sem fura-filas, nada de jeitinho brasileiro. Prioritário é prioritário. Não tem meio termo. Não é sobre quem tem mais ou menos dinheiro para pagar pelo imunizante, é sobre quem está sendo mais afetado. Não cabe neste momento aumentar ainda mais o distanciamento social. 

Só para concluir, a pandemia não acabou, “estamos cansados do vírus, mas o vírus não se cansou da gente”. A máscara não dá superpoderes, como se fosse uma capa de Superman. Estou com a máscara e nada vai me atingir, não funciona assim... a máscara ajuda muito, porém é parte da equação: manter o distanciamento social e lavar as mãos ou usar álcool em gel constantemente. E mesmo fazendo tudo isso, esse inimigo invisível não escolhe sua vítima.

Agradeço de coração a todos que se empenham, profissionais da saúde, professores, cientistas, a lista é longa. O texto foi mais sério, como exige o assunto. Realmente a Covid está bem pertinho, algo que começou lá do outro lado do mundo está aqui, batendo à nossa porta. 


(*) Alessandra Telles é monlevadense e especialista em RH