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Editorial
19 de Fevereiro de 2021
Interesse do vereador ou do povo?

Menos de dois meses após a posse, parlamentares de João Monlevade querem criar 16 novos cargos de assessores para atenderem a seus interesses. Vale lembrar que cada vereador já tem um assessor para atender às suas demandas. Com isso, a despesa com os atuais e os novos comissionados vai ultrapassar R$1 milhão por ano. A despesa é paga pelo dinheiro do contribuinte. 

Não se trata de ilegalidade. O projeto está dentro das previsões orçamentárias. No entanto, a questão é: este é o momento para criar mais despesas com o dinheiro público? Essa despesa é mesma necessária? Vai atender à população ou só aos interesses dos vereadores? No momento em que parte da população sofre com desemprego, em virtude da pandemia da Covid-19, os novos cargos parecem desproporcionais. 

A proposta é de autoria da Mesa Diretora, formada por Gustavo Maciel (Podemos), Revetrie Teixeira (MDB), Fernando Linhares (DEM) e Pastor Lieberth (Dem) e contou com apoio de Andréa Peixoto (PTB), Belmar Diniz (PT), Leles Pontes (Republicanos), Doró da Saúde (PSD), Marcos Dornelas (PDT) e Rael Alves (PSDB). Os vereadores Bruno Cabeção (Avante), Tonhão (Cidadania), Gustavo Prandini (PTB), Percival Machado (PDT) e Thiago Titó (PDT) ainda não haviam assinado a proposta até a última quarta-feira (17). 

Como justificativa, os autores e apoiadores apontam que a estrutura atual não é suficiente para atender às demandas do Legislativo e as funções da cada vereador. No entanto, o que parecer estar por trás, é o desejo de contratar mais pessoas para atender aos interesses dos parlamentares. 

Não há nada mais velho na política do que usar a própria máquina para a perpetuação em cargos públicos eletivos. Chama atenção ainda que os novos vereadores foram eleitos com discurso de inovação e mudar a forma de fazer política. Será que já se esqueceram?