Desde 1984
Erivelton Braz
18 de Dezembro de 2020
Momento de empatia

O mundo mudou e nós precisamos mudar com ele. É uma realidade e só não entende isso quem não quer. As transformações impostas pelo coronavírus, esse inimigo invisível e tão letal, obrigam-nos a mudar também a forma de ver o mundo. E uma maneira especial de enxergar a vida passa pelo conceito de empatia. A quem não sabe do que se trata, em linhas gerais, empatia é a capacidade de se identificar com outra pessoa para compreender o que ela pensa e sente. E isso não é tarefa fácil. Ainda mais no mundo egoísta e fechado em que vivemos, onde cada um só sabe cuidar de si e olhe lá.

Para ser empático, é preciso antes aceitar nossas próprias fraquezas e admitir que ninguém que encontrarmos nesta vida, por melhor que seja, é perfeito. Pelo contrário, longe disso. Conviver é a arte de entender que cada um é diferente de nós e que nossas percepções são apenas as nossas percepções e nada mais. O que é necessário é entender, justamente, as diferenças de cada um para minimizar as dificuldades das relações. E é nesse contexto que encontramos a empatia. É mais ou menos como aquele ditado popular: “não faça com os outros, o que você não quer que seja feito com você”. 

Neste fim de ano, um dos mais duros dos últimos tempos, temos belos exemplos de empatia. Campanhas solidárias em prol de doentes, como a #todospormonaliza, que busca ajuda para uma jovem mãe de cinco filhos que sofreu grave acidente e precisa de doações; arrecadação de alimentos, roupas e brinquedos para um Natal Solidário, como a generosa iniciativa dos clubes de serviços e associações, a fim de minimizar o sofrimento dos desvalidos; vídeos e ações na internet que buscam angariar recursos para entidades, entre outros tantos exemplos, trazem luz à necessidade da empatia.

Você pode até não concordar com o conceito, afirmar que isso é uma pauta furada. Mas se não fosse a empatia, não teríamos, por exemplo, o Sevor. O grupo de voluntários que, há 20 anos, dedica-se a salvar vidas, tem o espirito da empatia, de se colocar no lugar do outro. Os socorristas largam tudo o que estão fazendo, não importa a hora, para minimizar o sofrimento de vitimas de acidentes. Isso não é para qualquer um.

Também, dentro desta ótica, seria muita limitação de caráter não reconhecer o papel do Rotary, Lions, das Lojas Maçônicas, do pessoal do projeto Quentinhas do Bem, entre tantos outros, que fazem a diferença em João Monlevade, no lado social. Não é qualquer cidade que tem um patrimônio como esse. E isso, em nome da empatia e da solidariedade.

Assim, exemplificamos o sentido da empatia e a entendemos como um amadurecimento emocional. Com ela, aumentamos nossa visão de mundo, pois passamos a enxergar situações até então corriqueiras ou banais, sob outra perspectiva, de forma mais séria e mais humanitária. O mundo ficaria bem melhor se cada um se dedicasse, um mínimo que fosse, a olhar para o outro como gostaríamos que olhassem para nós.

Vinícius de Morais, poeta da paixão, escreveu que a vida só se dá para quem se deu. E isso vale para quem não tem medo de viver, tanto para quem se esforça um pouquinho para se doar ao próximo. Em tempos de pandemia, e em tempos de Natal, nunca fez tão bem e tanto sentido exercitar a empatia. 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação