Desde 1984
Erivelton Braz
04 de Dezembro de 2020
Amepi é patrimônio regional

A Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi) precisa ser resgatada para reassumir o seu protagonismo em nome do desenvolvimento regional. A entidade historicamente liderou a região pautando assuntos relevantes e do interesse da coletividade. Porém, nos últimos quatro anos, perdeu força e deixou de lado a sua principal missão: integrar o Médio Piracicaba e ajudar a desenvolver os municípios, a partir da bandeira do associativismo com ajuda mútua, troca de saberes e a participação efetiva dos prefeitos associados.

A Amepi, em suas mais de três décadas, tem um longa folha de serviços prestados em nome do desenvolvimento regional. Não foram poucos os projetos debatidos e realizados para a melhoria da vida dos cidadãos das cidades associadas. Para lembrar apenas de alguns, a entidade implantou e instalou um Núcleo Ambiental que, há 10 anos, já discutia a relação sustentável entre meio ambiente e a mineração. A proposta envolvia estudantes de todos os níveis (do infantil ao superior) em trabalhos de conscientização e reflexão sobre o futuro das cidades. Infelizmente, o projeto foi sepultado sem explicações plausíveis.

 A Amepi defendeu a duplicação da BR-381 com a participação de lideranças de toda a região. Inclusive, com cobrança efetiva aos órgãos competentes para mais resultados e melhorias da rodovia. Desenvolveu inúmeros fóruns com especialistas para tratar de temas de interesses coletivos; ofereceu capacitação permanente de servidores públicos nas mais variadas áreas da administração; emplacou o combate à dengue nos municípios; fortaleceu as cidades com serviços de engenharia e de consultoria para trabalhos de variados segmentos.

Foi pela Amepi que a região ganhou um Consórcio Intermunicipal que defendeu a agricultura familiar e a regulamentação de produtos para comércio na região; para cuidar da iluminação pública e até oferecer compras via banco de preços, gerando economia aos municípios. No entanto, pouco se sabe se essa ações continuam de forma efetiva.

O desenvolvimento regional passa pela Amepi, que tem o poder de unir e colocar em evidência soluções para os problemas das cidades. Neste momento de pandemia, por exemplo, a entidade fez muita falta por não liderar um plano regional de combate à doença, com conscientização dos cidadãos, aumento da fiscalização e auxílio aos hospitais referência na região.

Porém, precisamos olhar para o futuro e reascender as esperanças. Com a eleição de novos prefeitos, a Amepi tem a chance de resgatar o seu papel e recuperar a força de tempos atrás. Foram eleitos prefeitos que já estiveram à frente da associação e que muito contribuíram para elevar a região, como Nozinho, de São Gonçalo do Rio Abaixo; Fernando Rolla, de São Domingos do Prata e Laércio Ribeiro, de João Monlevade. Muitos também chegam ao cargo pela primeira vez, o que dá fôlego para a entidade, com o desejo de fazer a diferença por meio de uma visão regional ampliada, destacando-se, Marco Antônio Lage, prefeito eleito de Itabira. Além desses, outros prefeitos da região desejam contar com uma entidade forte e comprometida com todos os municípios e vão lutar para isso.

A região por onde circulam R$1,5 bilhão todos os anos, berço de empresas como a Vale e ArcelorMittal, que tem a riqueza da mineração, da produção de aço, da agropecuária, do turismo, dos atrativos naturais, dentre outros, precisa da Amepi. E o que se espera é que a bandeira da Amepi volte a ser fortalecida com a integração dos municípios, para que a região tenha força, voz e volte a ter a vez, que nunca devia ter perdido.  


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação