Desde 1984
() Erivelton Braz
20 de Novembro de 2020
As urnas pediram mudanças

Passadas as eleições, retomo à redação de temas políticos neste espaço, evitados aqui em virtude do meu trabalho como consultor de marketing e estratégia política nas campanhas de Marco Antônio Lage (PSB) em Itabira; Nozinho (PDT) em São Gonçalo do Rio Abaixo; Fernando Rolla (Avante), em São Domingos do Prata, Dorinha da Farmácia (PDT) em Guanhães e Delci Couto (PSB) em João Monlevade. 

A experiência nos ensina que perder ou ganhar uma eleição é o resultado de uma série de fatores. Alguns lógicos, outros, imponderáveis. São particularidades, acontecimentos inesperados, situações atípicas que levam o eleitor a decidir votar em um candidato ou em outro.

Por isso, nenhuma campanha é igual. E quem acha que entende tudo de política e que tem a fórmula infalível para a vitória, na verdade, não sabe de nada. Campanhas políticas são como a vida: nem tudo sai como planejado e precisamos aprender a contornar situações que aparecem ao longo do caminho e tirar o máximo de proveito delas.

 Vitória e derrota fazem parte do mesmo ciclo. Para ter um vencedor, é preciso ter um perdedor. É do jogo. E, de tudo, tira-se lições. Tanto quanto se ganha e, principalmente, quando se perde. A função do consultor é pensar, orientar, tomar decisões, avaliar riscos e apontar caminhos para tornar o candidato mais conhecido, apresentando propostas ao eleitor. A vitória nunca é prometida.

É preciso respeitar todos os candidatos que disputam uma eleição. Dos mais votados aos menos. Principalmente, pela coragem deles em pedir o voto, de caminhar, de mostrar ideias e a que vieram. Com as urnas abertas, é fácil criticar, sagrar-se responsável pela conquista ou apontar os dedos para responsabilizar um ou outro pela derrota. Profetas do acontecido e palpiteiros são apenas profetas do acontecido e palpiteiros.

O recado das urnas foi claro: o povo quis mudanças na maioria das cidades da região. Seja para tirar os grupos que estão há anos no poder, seja pela esperança de dias melhores, com a eleição de ex-prefeitos que voltam aos cargos. Em João Monlevade, a eleição de Dr. Laércio (PT) foi um sonoro “não” ao grupo que comanda a cidade desde 2013.

Além disso, ao médico e ex-prefeito, foi dada a oportunidade de governar a cidade mais uma vez. O Dr. Laércio de hoje, retorna à Prefeitura, exatamente vinte anos após tê-la deixado. Uma coisa é governar a cidade aos 49 anos. Outra, aos 69. A experiência ensina e traz novos olhares. O novo prefeito terá a oportunidade de revisar o que não deu certo em sua gestão e melhorar ainda mais o que funcionou. 

A torcida é que a experiência dele, aliada à força de vontade e ao trabalho do vice Fabrício Lopes (Avante) transforme essa cidade. João Monlevade precisa de uma renovação na forma de fazer política e o desejo dos eleitores foi justamente esse. A esperança de dias melhores é a vontade de todos os monlevadenses e realizá-la deve vir sempre em primeiro lugar. 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação