Desde 1984
Joaquim Costa
06 de Novembro de 2020
Vida que Segue
Com o surgimento da Covid-19, o Brasil, assim como todo o planeta, se viu mergulhado num cenário atípico e bastante crítico. Vidas, economias e empregos foram e continuam sendo ceifados numa velocidade avassaladora. Os números, principalmente os de vidas perdidas, são aflitivos e não podemos fechar os olhos e fazer de conta que está tudo bem. Além das tristes consequências da pandemia na rotina das pessoas, vemos crescer seus efeitos sobre a saúde coletiva. Os casos de transtornos mentais, seja depressão, síndrome do pânico, ansiedade ou estresse, cresceram exponencialmente. A mudança no modo de vida, com distanciamento social, pressões financeiras e temores do que está por vir, contribuíram para detonar esse processo de instabilidade emocional.

Nas empresas, os profissionais em home office, conectados por todo o tempo, já não suportam ficar em frente às telas lotadas de aplicativos e chamadas constantes para videoconferências. Os professores e profissionais da educação tiveram que se reinventar, com muitos deles virando, da noite para o dia, alunos de treinamentos virtuais de informática e de produção de conteúdo. Esse giro de 180 graus tem mexido com a cabeça das pessoas. Imagine-se na pele de um profissional de saúde! E, pior, calce os sapatos daqueles que tiveram que cerrar suas portas e dispensar funcionários.

Conversando com duas psicólogas amigas, tentando entender qual o protocolo recomendado e adotado para tratamento das pessoas que apresentam depressão em consequência do cenário de pandemia e também confabulando com pessoas mais velhas e vividas, as respostas vieram parecidas. Recomendaram serenidade. Seria uma aceitação lúcida das consequências nefastas e da devastação provocadas pela pandemia. Julgo ser um bom conselho. Longe de querer negar, bloquear ou mesmo minimizar desses infortúnios aqui descritos, assim como distante de querer pintar o quadro atual em luzes coloridas pelas oportunidades criadas, como os avanços da tecnologia de comunicação, acredito que o ideal é encontrar uma posição de equilíbrio e buscar força para se estruturar e prosseguir.

Em Monlevade, muitas pessoas viram a ocasião e a necessidade de intensificar ajuda social e socorro material nesse período de isolamento. Algumas entidades promoveram campanhas de doação de agasalhos no início do inverno, de fraldas geriátricas no Dia dos Avós, de cestas básicas no Dia de São Vicente de Paulo e de doação e brinquedos no Dia das Crianças. Acompanhando e participando dos trabalhos desses grupos, observo uma dupla alegria. Há satisfação em quem promove e executa a campanha e é notória a alegria nas pessoas que doam, talvez pelo fato de terem para doar e de poderem ajudar uma família em desamparo. São impressões positivas que, mesmo em tempos sombrios, nos trazem sensações de leveza e otimismo. Eis aí! Trabalho solidário é uma boa receita de busca da serenidade! Assim, já se espera que o Natal seja abençoado também com a generosidade dos monlevadenses e o protagonismo das nossas entidades filantrópicas e clubes de serviço.

Otimismo também nos proporcionam os esforços da comunidade científica para descobrir uma vacina eficaz e segura. De modo equivalente, traz satisfação saber que os profissionais da saúde já dominam melhor o tratamento da nova doença e que as medidas de higiene têm contribuído muito na profilaxia.

Por enquanto, continuarão os estádios vazios, os shows só em lives, os restaurantes com funcionamento parcial e os abraços estão postergados. Em tempos distintos, a humanidade passou por pandemias e guerras assoladoras e já demonstrou sua tenacidade e resiliência. E, mais do que isso, já nos ensinou que não há noites eternas. Vida que segue, volto ao conselho dos profissionais e experientes... serenidade!

(*) Joaquim Costa é engenheiro metalúrgico, gerente técnico da ArcelorMittal Monlevade e associado ao Rotary Club de João Monlevade