Desde 1984
Erivelton Braz
25 de Setembro de 2020
Morre o homem fica a fama

Do que você gostaria de ser lembrado? O que você queria ver escrito em sua lápide? O grande Ataulfo Alves cantou que morre o homem fica a fama. As vezes, a fama até melhora depois da morte. Mas, por via das dúvidas, é melhor não dar chance ao azar e sempre fazer o melhor que puder. Em todos os aspectos. 

Dia desses, conversando com uma amiga, ela disse-me que, na casa dela, todos tinham que tirar 10 nas provas. O avô, com quem ela morava na infância, não aceitava menos. Se tirasse 9,9 ficava sem sobremesa. Outro amigo, disse que em sua casa, quem era reprovado, não ganhava nada no Natal. Nem uma meia. Os dois amigos, hoje casados, ensinam isso aos filhos. 

O nome disso é nível de excelência. Uma cobrança em busca dos resultados. Não dá para aceitar mais ou menos, mal feito, de qualquer jeito. É preciso se dedicar para fazer sempre o melhor que for capaz. Senão, é melhor nem começar.

Não se trata aqui de perfeccionismo. Mas de fazer com dedicação. Eu acredito no trabalho de qualidade como um divisor de águas. O que separa quem sabe de quem não sabe. Essa medida seleciona os profissionais de amadores e os bem intencionados dos competentes.

Há uma diferença enorme em querer acertar, se dedicar a isso, de saber o que se está fazendo. Quem quer acertar é bem intencionado. A maioria das pessoas erra justamente ao querer assumir algo que não sabe fazer. Isso é irresponsabilidade e achismo. 

De certa forma, o homem faz a sua história. Ela pode ser escrita todos os dias. E se tiver a excelência de promover bons resultados, pode ser ainda melhor. E nós podemos ser melhores em nossas atitudes. Desde o trato com o outro, até a redução do apontamento de dedos e assumindo nossas responsabilidades sobre tudo o que fazemos ou nos propomos a fazer.

Tenho um amigo que sempre me ensinou: o cumprimento de horário é respeito aos outros. E há anos eu me esforço, e muito, para ser pontual. Não é fácil. Todos os dias, luto para cumprir minha agenda, sempre no horário determinado. É uma questão de princípios. Luto também, diariamente, contra o machismo e contra preconceitos que possam surgir em meu pensamento. Não é por querer, mas venho de uma geração em que piadas e até expressões cotidianas são machistas ou preconceituosas. Lamentavelmente. 

Assim, procuro pensar antes de dizer e repensar atitudes todos os dias. É um exercício para mudar e melhorar como ser humano. Tento ser mais compreensível com os outros e, principalmente, com quem pensa ou age diferente de mim. Cada um é de um jeito e o erro é querer que todos sejam iguais ao que desejamos. Afinal, nem irmãos gêmeos são iguais em seus temperamentos e formas de agir. Loucura é querer medir todo mundo com a mesma régua. 

Viemos nessa vida para nos aperfeiçoar. Isso significa que estamos constantemente em aprendizado. E todos os dias temos a oportunidade de aprender algo novo. Basta observarmos o mundo e, principalmente, as pessoas ao redor. Talvez a história que contamos, as obras que deixarmos ou o bem que fizermos, será o legado que vamos deixar (se é que há algum) depois que partirmos. O que você quer escrito em sua lápide? Do que você gostaria de ser lembrado? 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação