Desde 1984
() Sheila Malta
26 de Junho de 2020
A diferença vem de quem quer a igualdade

Racismo, bullying, homofobia, machismo e feminismo em excesso são todas condutas que devem ser combatidas todos os dias... Sem dúvida, o que fere a um, fere a toda a humanidade!

Entretanto, há que se tomar cuidado, com certos excessos também por parte de quem protege a si ou aos outros... Até que ponto, a proteção não se confunde com o próprio ato que queremos combater?!

Desde já, deixo consignado, que abomino todas essas atitudes negativas acima citadas, mas tenho consciência de que independente do que qualquer um venha a sofrer,isso não nos exime de ter postura.

Esses discursos batidos de que: 'você não entende!', 'esse pensamento é mais racista do que você pensa', ' você nunca sofreu' ou mesmo ' nossa! Como vc é preconceituosa!' não me abalam... O simples fato de eu discordar dessas afirmações não me tira a percepção de sensibilidade das realidades cotidianas a minha volta.

Fica aí a minha pergunta: Aos que me tacham desses e outros apelidos, não estão fazendo ou sendo exatamente aquilo que me condenam? Meu conceito de diferente não fica adstrito apenas a etimologias, vai além...assim como o meu conceito de igualdade.

Em teoria geral do Direito e dentro das filosofias humanistas, Rudolph Von Lhering destaca que: 'Igualdade é tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente', dando a concepção de que uma balança só se equilibra se tratado os pesos da mesma forma, mas respeitadas suas características peculiares...

Ressalto que, quando afirmei que 'não me retira a percepção da realidade cotidiana a minha volta',quero dizer que os óbvios como: claro que nunca tive que passar por situações constrangedoras em relação ao meu tom de pele, sim sou branca!, mas não significa que não tenha passado constrangimentos por outros motivos...e eles não são menos ou mais fúteis ou mesmo super ou menos importantes que quaisquer outros!

Aliás, da mesma forma, que não temos como e nem porque nos sentirmos culpados por sermos brancos, altos, loiros, ruivos, negros, baixos, gordos, feios ou bonitos, não tem o porque aceitarmos certas verdades como absolutas!

Ninguém nasce racista, homofóbico, machista, feminista ou mesmo predisposto a condutas negativas, somos resultado do meio a qual nos expomos ou desejamos estar convivendo... O presente texto vale para todos nós como uma breve reflexão: 'Estamos fazendo a diferença virar igualdade ou a nossa igualdade está transformando os outros em diferença?'

Interessante salientar que, enquanto seres humanos, entendo que, na sociedade hipócrita em que vivemos, dependendo de nossas características, isso torna a vida mais complicada ou mesmo mais difícil de ser vivida ou não! Às vezes, podemos viver e conviver através de diferenças até melhor... Sinceramente? O igual, de repente, seja quem assim consegue lidar com a chamada reciprocidade e eu... a diferente!

Mas de qualquer forma, fica o questionamento que fiz alguns parágrafos acima para pensarmos... Não cabe aqui dizer quem é mais ou menos forte ou vulnerável, vez que cada indivíduo conhece seus próprios limites...O intuito do meu texto não é atacar ninguém, todas as lutas são importantes...sempre serão! A questão é: Estamos brigando da maneira correta? Qual o público realmente estamos interessados em atingir? Mais que isso: Quem e como querem ser salvos? Ou na realidade, sou eu quem precise de uma salvação?


(*) Sheila Malta é monlevadense e gestora cultural