Desde 1984
Erivelton Braz
08 de Maio de 2020
Quarentena não acabou

Apesar da reabertura do comércio, a quarentena não acabou nem em João Monlevade, nem em lugar nenhum. Pelo menos, deveria ser assim. As pessoas precisam se conscientizar da importância de sair de casa apenas em caso de extrema necessidade. Outro dia, fui a farmácia e fiquei chocado com a cena: parecia véspera de Natal no comércio monlevadense. Gente por todo lado, transito lento, carros estacionados e muita gente andando em grupos, conversando, como se não tivéssemos um inimigo tão cruel quanto invisível.

No Brasil, morreram (até a manhã de ontem,7), 8.600 pessoas. É três vezes mais o número de mortes do World Trade Center em 2001, cerca de 3 mil pessoas e 34 vezes o número de mortos na tragédia de Brumadinho, que ceifou 250 vidas. Talvez porque na semana passada, eram 5 mil mortos e amanhã, sabe lá Deus quantos mais serão, as pessoas não sentem que a vida humana está se esvaindo aos montes.

Graças a Deus, até ontem, quando escrevia essa coluna, não havia mortes em João Monlevade por coronavírus. Mas será que isso vai durar até quando? Nossa cidade é pequena. Tem um único hospital que atende toda a região com pouco mais de 120 leitos. Ao todo, são 31 ventiladores. E vale lembrar que os respiradores são para pessoas entubadas. Não se usa ventilador de boa. É um procedimento invasivo em que a pessoa precisa estar sedada, com um tubo atravessando-lhe a traqueia levando ar direto para o pulmão. Em caso de sobrevivência, pode haver sequelas também. 

A verdade é que as pessoas precisam de mais empatia, de mais zelo e cuidado com o próximo. Na fila do banco para receber o auxílio do governo federal, nem todos precisam estar ali. Lembro que antes de se dirigir à Caixa, é preciso baixar um aplicativo e fazer um procedimento online. Não é necessário ir às agências tentar receber, se não tiver o pedido aprovado pelo sistema. 

Gente lotando os supermercados, feiras, lotéricas como se nada estivesse acontecendo. Não é hora de sair de casa em grupo. É preciso que apenas um membro da família saia quando necessário. Parece que ninguém acredita que o vírus pode ser letal e não escolhe idade, sexo, preferência política ou partidária. Se você precisa trabalhar e precisa sair, que faça isso com todos os cuidados e procedimentos necessários. Ao chegar em casa, troque de roupa, tire os sapatos e lave as mãos. De preferência, tome um banho e ponha as roupas para lavar. Vamos nos conscientizar e fazer melhor o nosso papel. Sejamos críticos e rigorosos com todos. Domingo é Dia das Mães e, sinceramente, não é hora de almoços, de reuniões, de encontros familiares. Principalmente, se a mãe for idosa. Se quiser mandar um presente, mande por delivery. Ligue, faça vídeos chamadas. Grave áudios...É hora de proteger quem amamos. Ficar distante, neste momento, é um ato de amor. Logo, logo vamos voltar a nos abraçar.  


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação