Desde 1984
Erivelton Braz
03 de Abril de 2020
Quem vive e quem morre

“Coloque-se no lugar do médico que terá que escolher quem será tratado e quem deve morrer”. A frase é dura e me foi dita pela amiga farmacêutica Beatriz Lott, explicando o que é colapso do sistema de saúde. Significa que não é possível nenhum atendimento quando todos os leitos dos hospitais estiverem ocupados. O ministro da saúde diz que a Covid-19 vai se propagar numa velocidade que impactará o atendimento a doentes a partir deste mês de abril.

Mas você sabe, realmente, o que isso quer dizer? O cenário assustador ocorre por que simplesmente não haverá vagas. Para ninguém. Você resolve apelar para a Constituição Federal. “Sou brasileiro, preciso de atendimento e está no artigo 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”: não há vagas. Um parente foi atropelado e justifica que tem plano de saúde, quitado em dia, há anos. “Desculpe, não há vagas”. O plano de saúde não deu certo. Você saca suas economias e afirma: “Pago à vista, preciso de atendimento”. Não há vagas. O dinheiro não deu certo. Você tenta uma ordem judicial para uma internação. Mas ela não dá certo também. Afinal, não há vagas. 

Essa é a preocupação das autoridades em saúde: Se o número de casos aumentar muito em um curto espaço de tempo, a capacidade máxima de atendimento no sistema de saúde vai ficar comprometida. Seja em caso de unha encravada ou infarto, não vai ter hospital, upa, ou posto médico para dar conta. O colapso, diz o ministro, é “quando você tem o dinheiro, o plano de saúde, a ordem judicial, mas não tem onde entrar para se tratar”, diz o ministro. 

Portanto, o conceito de isolamento social é tão eficaz. Ele funciona porque freia o contágio nesse curto espaço de tempo, minimizando a quantidade de pessoas infectadas. Autoridades afirmam que, certamente, de 50% a 60% da população vai ser infectada. O problema, neste momento, é se os casos que precisam de hospitalização superarem toda a capacidade de atendimento. 

Por isso, é importante ficar em casa. E isso, não é para reunir familiares em churrascos, aniversários, almoços. É hora de demonstrar afeto ao telefone, em vídeo chamadas, em mensagens nas redes sociais. É hora de voltar a conversar com quem está a seu lado, de acalmar os corações ansiosos e ter fé que esse doença vai passar. Ela não é primeiro de abril. 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação