Desde 1984
Erivelton Braz
20 de Março de 2020
Hora de precaução

Diante da epidemia mundial do coronavírus que inevitavelmente chegou ao Brasil, precisamos nos cuidar e cuidar de quem amamos. A preocupação maior é com idosos e os que têm algum problema de saúde: diabetes, hipertensão, doenças renais, cardíacos, etc, doenças que podem ser agravadas pelo coronavirus e levar a morte.

É muito importante diminuirmos a taxa de transmissão, apesar de ainda não termos nenhum caso confirmado na cidade (escrevo este texto às 9h de ontem, dia 19). E a melhor forma de conseguirmos isso é ficarmos em casa, evitar o contato social, apertos de mãos, beijos e abraços.

O momento exige cautela, porque João Monlevade não tem estrutura para tratar uma pandemia. A cidade tem 80 mil habitantes. Agora pensem: se 5% ficar doente, teremos aqui, 4 mil casos. Seguindo estimativas da OMS, 20% dos doentes precisam de internação. Nessa lógica, seriam 800 pessoas precisando de hospitalização. Acontece que o Hospital Margarida tem cerca de 120 leitos, para atender João Monlevade e região. Não tem como cuidar de tanta gente. A doença em si não é tão grave para jovens e crianças, mas o aumento da transmissão leva qualquer sistema de saúde ao caos.

A Italía não levou a situação a sério. Os casos subiram abruptamente naquele país devido a uma falta de credibilidade no início dos casos. Medidas demoraram para ser tomadas, e hoje os italianos pagam um alto preço. O diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Júlio Croda, disse nesta semana que o coronavírus está se comportando no Brasil de forma semelhante ao que ocorreu na Itália. Então, precisamos nos proteger.

Por outro lado, a suspenção de aulas, de eventos, de shows, fechamento de clubes, entre outras medidas, servem como alento. Não é férias, é isolamento em casa. Evite aglomerações. Evite visitar doentes, ligue para os idosos, faça vídeo chamadas, mas evite estar na presença deles. 

É preciso também cautela e calma, para cuidarmos também da nossa saúde mental. Evite compartilhar informações falsas, áudios duvidosos e notícias que só desestruturam a nossa consciência e não colaboram em nada. É hora de cuidar, lavar as mãos sempre. Evitar contatos com amigos. Ficar mais em casa e sair apenas se for indispensável. Se tiver que ir ao supermercado, é prudente que seja rápido, sem ficar conversando, evitando tocar naquilo que você não for levar e pegar apenas o indispensável. E lembre-se, antes de sair: eu preciso mesmo fazer isso? Eu preciso ir ao banco, médico, dentista, se não for urgente? Se sair, lave as mãos ao chegar em casa. Hoje, isso é um gesto de amor. Façamos nossa parte para sairmos dessa situação o quanto antes. 

(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação