Desde 1984
Igor de Abreu
13 de Março de 2020
Dilemas em processos seletivos

Estudantes universitários costumam encontrar dúvidas em processos seletivos de estágio e trainees: Como me vestir? O que falar? Será que sou a melhor escolha? Esses e outros pensamentos passam pela cabeça dos candidatos na hora das entrevistas.

É perceptível que muitas empresas, no processo de contratação, dão preferência para pessoas que estudam ou se formaram em 'universidades conceituadas'. Nisso, o aluno que não faz parte 'desse seleto grupo', perde sua mais valiosa peça: a motivação.

A dinâmica desses processos são cansativas. Comecemos imaginando uma pessoa que estuda em uma Universidade a 140 km do local onde vai ser o processo seletivo. Empenhado, o candidato participa da dinâmica e assim finaliza a primeira etapa.

Encerrada a etapa, ele recebe a notícia de que foi aprovado para a segunda e última fase, a ocorrer em outro dia. Assim, mais uma vez, dá-se um jeito e se vão mais 140km de chão em busca da aprovação no processo seletivo. Porém, ao chegar lá, vê-se apenas um concorrente: o processo deixou dois na fase final. Ele vê um aluno de sua sala, que cola em todas as provas ( e que acaba tendo ótimas notas, apesar de não desenvolver nada em pesquisa, extensão ou qualquer outro tipo de projeto que gerasse resultados.

Passa-se 15 dias e nada de resposta e, após tomar muita coragem – pois o medo da não aprovação é grande – pergunta ao concorrente se fora aprovado e surpresa: com muita empolgação recebe um sim como resposta. Dessa forma, sua motivação, esforço e atividades desenvolvidas parecem não ter valido de nada...

Em um outro processo seletivo, dessa vez online, este preenche os formulários e faz as provas. Em um ato de empenho e transparência, faz as provas sozinho, pois no formulário indica não ser permitido consultar a nenhuma fonte, o que ele respeita. Após um mês, a resposta de que a nota não fora suficiente (isso sem ter o retorno da pontuação obtida na prova). O x da questão: quantos desses realmente dominavam o assunto da avaliação e mais - quantos fizeram a prova sozinho?

Quero aqui, caro(a) leitor(a), provocar a reflexão: A bagagem vale alguma coisa? Nota é definitivamente tudo? Não existem ferramentas que podem ser efetivamente utilizadas para se evitar o gasto com o deslocamento a esses processos sem tirar oportunidades? O feedback não é importante? Não pode existir, em Universidades menos conceituadas, pessoas de mesma qualidade que as de renome? Bom, essas respostas prefiro que internalizem, mas espero que o RH não deixe de observar e de ser humano.


Igor de Abreu é gestor de projetos na UEMG Unidade João Monlevade