Desde 1984
Márcio Passos
28 de Fevereiro de 2020
Como elogiar o governo de Simone

Esta frase acima e que aqui serve como título eu escrevi há mais de um mês. Não vou ser repetitivo para elogiar minha amiga Simone Carvalho, mesmo porque a referência não é sobre ela, mas sim sobre a prefeita e seu governo.

Não tenho a mínima dúvida de que se lhe fosse permitido governar, ela faria bem melhor do que o que aí está. Ela paga caro o cargo para o qual foi eleita pela oportunidade de ter tido como principal cabo eleitoral o seu marido, ex-prefeito e comunicador que se acha dono da maioria dos votos na região do Cruzeiro Celeste e Novo Cruzeiro e que, na sua matemática eleitoral, são suficientes para vencer qualquer eleição.

É ele quem governa diretamente ou através de laranjas que ocupam estratégicos cargos de confiança. A prefeita só assina e, muitas vezes, só depois da ópera ensaiada e o espetáculo concluído, muitas vezes como a última a saber. Constrangedor, mas é o preço.

Voltando ao título, estive à procura de algum assunto para elogiar o governo Simone. E não achei, mas não foi por má vontade. Isso não faltou e até pedi ajuda a meus colaboradores e outros que nem tanto o são. Esperei em vão e isso não me alegra. Pelo contrário, muito me entristece e desanima.

No início do ano passado cheguei a pensar que um segundo mandato, mas agora com a cara da Simone, oportunidade de ela realmente governar e de o povo conhecer sua sensibilidade e compromisso social sem populismo e sem faz-de-conta, aplaudindo a primeira mulher eleita na história política de João Monlevade. Convenci-me rapidamente de que isto é impossível. Jamais ela vai cumprir em 100% a função que o povo lhe delegou, pelo menos enquanto viver na tutela do coronel, tanto na vida privada quanto pública.

Mesmo assim, insisti em arrumar algum assunto para elogiar o governo Simone. Não achei e não consegui mudar de assunto. Apelo, então, a seus secretários e assessores para que me ajudem. Enviem-me relatos de ações e obras que eu não estou enxergando porque as quero destacar. Boa vontade não me falta e essa colaboração não é difícil porque tenho muitos amigos no governo.  

 Alerto, no entanto, para não virem com bla-bla-bla e jogo de palavras, evitando perder tempo com o arroz e feijão que são obrigação da gestão pública. Apesar do momento econômico, João Monlevade tem uma receita excelente em relação aos demais municípios e uma despesa isenta dos custos de manutenção e benefícios em zona rural, espaço geográfico que não temos. Sugeri no ano passado uma prestação de contas sobre o que foi prometido em campanha e o que foi realizado no governo, mas não fui atendido. Quem sabe agora sai? Ajudem-me, por favor!


(*) Márcio Passos é jornalista e fundador do A Notícia