Desde 1984
() Erivelton Braz
21 de Fevereiro de 2020
As redes sociais vão acabar

“A mídia social desempenhou um papel tão importante ao nos pressionar a aparecer de uma certa maneira. As pessoas estão procurando se reconectar com quem são, voltar ao básico”, diz Melissa Butler, fundadora e CEO da The Lip Bar, uma das mais importantes empresas de cosméticos do mundo. A lição é clara: depois de tanta exposição, depois de tanto esforço para ficar em evidência no mundo virtual, a realidade insiste em continuar.

Não é de hoje que tenho percebido isso. As redes sociais ainda exercem um importante papel como instrumentos de mídias, mas têm provocado um esgotamento das pessoas. Muita gente já percebeu um certo “vício nas telas” e têm tentado diminuir a frequência dos acessos. Nos Estados Unidos, algumas famílias aderiram a uma mudança de hábitos chamada “sunset”. A palavra que significa por do sol resume uma prática simples: ao chegar em casa do trabalho ou da escola, toda a família deixa os aparelhos celulares de lado em busca de uma conexão com o outro, na vida real. É uma forma de dizer não às redes sociais. Pelo menos por um tempo. 

Ainda são poucas pessoas, mas tem gente que já está consciente de que as redes sociais acabam sabotando-as, roubando o tempo e não oferecendo nada de interessante ou relevante para suas vidas. Em muitos casos de separação, o celular é apontado como principal motivo de afastamento do casal.

A partir da declaração de Melissa Butler, não podemos desconsiderar a hipótese de que, em breve, as mídias sociais cheguem ao fim. O homem é um ser naturalmente insatisfeito. Inventa algo novo, usa à exaustão e, depois, parte em busca de outra novidade. Que pode ser até a reinvenção de uma antiga. Não será de assustar se, em breve, crianças ficarem surpreendidas e encantadas por brinquedos do passado. Tudo muda o tempo todo do mundo.

Ferramenta de trabalho para uns e de lazer para outros, as mídias sociais podem estar com os dias contados. O que também não significa que outras redes possam surgir, assim como ocorreu quando o Facebook “matou” o Orkut e o WhatsApp “matou” o Messenger. E você, com o que ou quem se conecta? 


(*) Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação