Desde 1984
Paula Garcia
14 de Fevereiro de 2020
Crônica de um partido “partido”
Façamos uma viagem no tempo, mais precisamente, ao ano de 2018 nas eleições presidenciais. Eu, Paula, coordenadora do Movimento Direita Minas do núcleo de João Monlevade, assumi o protagonismo na cidade, sendo referência na campanha do então candidato a presidente, Jair Bolsonaro. Com a ajuda de alguns amigos, fiz adesivos, panfletos, organizei carreatas e até estamparia de camisas em prol da campanha do Bolsonaro. Não apenas referência entre os simpatizantes do candidato, era também referência no Cartório Eleitoral da cidade, que me pediu que eu fosse a fiscal de urna do PSL, pois na cidade, não havia nenhum dessa sigla.

Passadas as eleições, com a vitória do Bolsonaro e tendo sido Cabo Junio Amaral, o deputado federal do partido mais votado na cidade, foi lhe dado o direito de escolher a comissão provisória aqui na cidade. Pela minha ligação com o Movimento e amizade com o deputado eleito, fui escolhida para essa missão. Assim que foi publicada, nossa saga começou. Pegamos um partido endividado, enrolado, com contas reprovadas. Procuramos o presidente anterior, que sequer sabia quem era responsável pelo financeiro do partido (Seria um partido de aluguel?), procuramos ajuda com um renomado contador da cidade que ficou admirado com a nossa postura em querer regularizar a situação financeira da legenda, mesmo faltando mais de um ano para as eleições municipais.

Segundo o próprio contador, a maioria dos representantes partidários deixa para regularizar a situação apenas no ano eleitoral e que teria o maior prazer trabalhar conosco. Resolvemos essa parte, pagamos todas as dívidas. Então, começamos a criar uma nova identidade ao partido, que até então, tinha alguns filiados que tiveram pouco mais de 100 votos em 2016. Com a medida, o partido passou a ganhar notoriedade, ganhou cara, ganhou força e se configurou como legenda apta para disputar as eleições deste ano.

Porém, algumas semanas antes do vencimento da nossa comissão provisória, aparece então a figura do coordenador do PSL. Ele chegou impondo, intimidando e desmerecendo todo o trabalho que havíamos desempenhado nesses últimos meses. E, assim, na calada da noite, sem aviso, sem conversa, sem satisfação, fomos simplesmente descartados e substituídos por pessoas que não têm compromisso real com a cidade, mas com o coronel que aqui impera. Sentimos muitíssimo pelo partido o qual, por seis meses, cuidamos com zelo, carinho, dedicação e que agora será entregue aos velhos lobos de sempre.

A boa nova é que o nosso projeto não morreu: vamos continuar lutando por uma cidade melhor e para eleger representantes que estejam à altura desse povo tão digno e merecedor de uma política correta, que é o povo monlevadense. Contem conosco, não vamos desanimar. Seguiremos firmes em nosso propósito de fazer de João Monlevade uma cidade cada dia melhor.

<strong>(*) Paula Garcia é monlevadense e professora</strong>