Desde 1984
Márcio Passos
27 de Setembro de 2019
Pergunta clara e objetiva
Infringem a ética o juiz que não julga, o promotor que não denuncia, o advogado que não defende, o jornalista que não noticia o que sabe ou não escreve o que pensa.
A frase não é minha e sim do jornalista Medeiros Abreu, que nem conheço, mas com o qual concordo plenamente. Vamos pegar o atual governo do município de João Monlevade como exemplo. Aproximando de meus setenta anos de vida e mais de meio século de profissão, não tenho e nem quero ter disposição para fazer oposição a quem quer que seja e, muito menos, à Simone Carvalho. Longe de mim isso, sangue de Jesus tem poder e oremos por Santa Mariquinha do pé junto, como costuma rogar a minha querida Eloíza.
Não posso, ainda mais nesta altura do campeonato da vida, esconder informações ou opiniões para agradar político A, B ou C. E político erra pra caramba, principalmente aqueles que se acham e não são, mesmo porque quem o é não se acha.
O governo Simone, como tantos outros, exagera no direito de errar e, como não poderia deixar de ser, é ela quem paga caro por tantos e repetitivos erros. E nem vamos falar aqui do monumental estrago que o “novo centro” fez em sua imagem. Vamos nos ater aos empréstimos definidos e que serão aprovados porque a maioria na Câmara é composta por vereadores que trocaram a representatividade do povo outorgada nas eleições, pelo vergonhoso balcão do troca-troca de favores pessoais e politiqueiros que não vale a pena nem esmiuçar.
E não pode ser ponto de decisão a informação de que o município tem capacidade enorme de fazer dívidas, mesmo porque muita gente quebra exatamente por isso.
O xis da questão é o real motivo de pegar tanto dinheiro emprestado na virada para o último ano do governo, perante a baixa avaliação pública e de um resultado pífio em relação ao que se prometeu em campanha que a elegeu e que as pesquisas comprovam.
A pergunta é clara e objetiva: essa dinheirama emprestada tem como objetivo promover o bem da comunidade ou é uma estratégia política de arrumar dinheiro para pagar obras (geralmente malfeitas) no último ano de governo e enganar o eleitorado visando a tentativa de reeleição da prefeita, comprometendo a receita dos próximos governos?
Pelo que bem conheço dos modos operantes do consorte (palavra chique, hein?) da prefeita, tenho absoluta certeza que a segunda opção é verdadeira. E vou repetir isto até o dia da eleição em outubro do ano que vem, independente da reação dos puxa-sacos dela que visam apenas a manutenção de seus empregos temporários ou favores de corar até cara sem vergonha.
Não sou e jamais serei oposição à Simone e, repito, ela não merece isso pela pessoa que é e vai pagar caro pela política que se deixou transformar. Que ela saiba disso antes de começar a se lamentar. Porque o custo da tentativa de reeleição que no íntimo nem ela quer não a garante e pode marcar o resto de sua vida.

Márcio Passos é jornalista e fundador do Jornal A Notícia