Desde 1984
Márcio Passos
20 de Setembro de 2019
Caras de pau e bobos da corte
A realidade da administração pública brasileira hoje exige uma gestão muito mais eficaz do que duas ou três décadas atrás, quando recursos públicos não eram o grande problema em que se transformaram. Apesar de pagarmos uma das maiores cargas de impostos do mundo, a má gestão, o danoso populismo do é dando que se recebe, a corrupção endêmica e a repetida eleição de gente que não sabe cuidar da própria casa acabaram inchando todas as máquinas administrativas e caminham para quebrar o Brasil. A federação, os estados e os municípios muito dificilmente recuperarão o poder de folga de seu caixa e não há outra saída menos danosa que reduzir o tamanho das máquinas administrativas, modernizar a gestão e prevalecer sobre os interesses políticos partidários o interesse e direito coletivo.
Lamentavelmente, o que se vê no dia a dia da administração pública é exatamente o contrário. Excesso de funcionários públicos em todos os níveis, boa parte mal treinada, desmotivada e sem compromisso com o bem comum, além do cada vez mais crescente número de cargos de livre nomeação para a prática da velha e danosa política. Isso custa caro e o retorno para a comunidade é muito pouco diante da despesa que gera.
Para complicar ainda mais a situação atual o povo assiste passivo a várias ações populistas que vão de bolsas a isenção de taxa de água, além da irresponsável e criminosa atitude de falsos gestores que abrem mão de receitas internas e correm atrás de recursos nas esferas superiores com o pires na mão.
São centenas ou milhares de municípios brasileiros correndo atrás de empréstimos, quase sempre autorizados por legislativos comprados com compromissos não republicanos, para não dizer pior. Enquanto isto, não se vê exemplos de enxugamento da máquina, redução de suas despesas e custos ou qualquer medida de gestão que adeque as administrações públicas à realidade econômica do momento. Pelo contrário, o que se vê despudoradamente é a prevalência e até ampliação do custo desta farra e compromissos financeiros com empréstimos que deixarão de pés e mãos amarradas os próximos administradores.
E o pior é que muita gente que se acha inteligente bate palmas para tudo isso, acha normal o ocupante de cargo eletivo não cumprir nos quatro anos o que prometeu, mas acha mais normal ainda este estelionatário eleitoral endividar o município sob o argumento de que está visando o futuro. São muito caras de pau de um lado e bobos da corte de outro.
Ano que vem teremos eleição. É mais do que hora de não votar no bonitinho, bonzinho, engraçadinho, bom falante e que promete mundos e fundos. Mais do que nunca é necessário votar em quem tem história de vida que o credencie como bom gestor. Se o eleitor não começar a observar isto as futuras gerações pagarão caro demais.

() Márcio Passos é jornalista e fundador do Jornal A Notícia