Desde 1984
SILVAN PELÁGIO
30 de Agosto de 2019
Jesus pra mim
Esteja tranquilo, este texto não cuida de doutrinação religiosa ou algo que o valha. A bem da verdade, há muito tempo não frequento templo algum e nem me reúno entre amigos para cuidar de assuntos do espírito. Esse texto trata, tão somente, por irresistível lição pessoal, da necessidade de compartilhar com você, que me honra com sua leitura, a respeito de uma vivência particular, que a mim significou amor, mas que pode a outros parecer tolice, embora isso nada implique.
O fato é que buscando o melhor método de estudo, cheguei ao saudoso professor Pierluigi Piazzi, de quem minuciei um livro e assisti a inúmeras palestras e entrevistas através da internet. Entre as tantas coisas que aprendi, preciso acentuar aqui, pelo enredo, a importância da leitura diária como estímulo ao aprendizado da inteligência. Sim, de acordo com esse professor, e eu estou convencido disso, inteligência é algo que se aprende.
Houve, então, desse momento em diante, que nenhum dia se passou em minha vida, sem que eu dedicasse um tempo à leitura. É claro que, normalmente, os advogados precisam ler muito, e eu não fujo a essa regra, mas a leitura precisava ser de algo distinto do meu cotidiano técnico.
E é exatamente aí que Jesus se apresenta. Eu não havia planejado nada disso. Só tinha em mente a necessidade de iniciar esse novo hábito diário de leitura. Mas foi assim que, abrindo o armário, encontrei um presente recebido há mais de 02 anos da minha amiga Natália Andrade, e até então inexplorado por mim: o livro "As 25 Leis Bíblicas do Sucesso", do professor, escritor e Juiz Federal William Douglas.
Sabendo desse caso e imaginando ser uma escolha de estilo, minha amada mãe passou a aplicar alguns livros bem robustos e interessantes, todos relacionados ao Cristo. Nessa leva, li sobre Saulo de Tarso, Estevão, Lucas, tendo em seguida a necessidade de ler a Bíblia, especialmente o evangelho de Lucas e as epístolas de Paulo.
O lado cético, porém, impeliu que eu buscasse aspectos mais arqueológicos e históricos a respeito de Jesus e seu tempo. Passei, então, a explorar mais o assunto e a leitura passou a ser prazerosamente compulsiva. Aos poucos fui percebendo contradições, imprecisões de datas, contestações sobre os concílios a partir do século IV, a escolha dos livros que estão na Bíblia e os evangelhos proibidos, decisões políticas em nome da fé, chegando até às reflexões críticas do grupo Jesus Seminar, da década de 80. Enfim, permiti que toda sorte de dúvida chegasse até mim.
Ao mesmo tempo, fui compreendendo a dimensão de Jesus na história da humanidade, seus ensinamentos, exemplo e a propagação de uma mensagem de amor e paz em um dos períodos mais violentos e hostis da história. Fui também conseguindo identificar a parte meramente humana e imperfeita em tudo e os pontos de consenso histórico, além das inúmeras evidências a refutar logicamente os argumentos de mera propaganda.
Achou-se a mim, pois, de tal exame, que algumas crenças ficaram pelo caminho e outras tantas foram vigorosamente edificadas ou fortalecidas. Permaneceram o desejo de contínuo estudo e aprendizado, e a consciência de nada saber, compreendida essa afirmação mesmo no conceito socrático
E quanto a Jesus, é para mim o Cristo, não por dogma, mas por validação, de quem sou fã genuíno, por amor que repleta o coração, na brandura de seguir caminho sob a luz de sua exortação. Que Deus esteja com você. Que Deus esteja conosco.

() SILVAN PELÁGIO é advogado especialista em Direito Público e Eleitoral