Desde 1984
Will Jony
16 de Agosto de 2019
Os discursos dos pedágios
Há mais de três décadas têm-se falado na possibilidade de duplicação da BR-381, notadamente no que se refere ao trecho que corta João Monlevade. Várias manifestações foram feitas, inclusive com bloqueios na estrada. E, de alguns anos pra cá, com a perda do fôlego financeiro por parte do Governo Federal, mais um ingrediente entrou nesse “bolo”: o conjunto de postos de pedágio.
Agora, com o afunilamento das discussões e tomadas de decisões, o Governo decidiu pela instalação de pontos de pedágio em locais como Caeté, João Monlevade, São Domingos do Prata e Manhuaçú, via iniciativa privada. E, a princípio, o valor cogitado seria perto de R$11,50 e, após completada a duplicação, perto de R$8,50. Diante dessa situação, os discursos começaram a distoar, expondo-se claramente que os discursos da maioria dos políticos têm sido bem diferentes dos discursos da maioria dos empresários.
Enquanto políticos defendem que os preços a serem praticados nos pedágios devam ser menores, empresários posicionam-se no sentido de que os mesmos devam ser mantidos, sob o argumento de que já estão pagando por uma obra que não sai do papel. Assim, empresários têm tido uma postura de quem quer “pagar pra ver”, acreditando que só com tal investimento as famigeradas obras de duplicação irão mesmo acontecer num prazo menos elástico.
Com a instalação dos pontos de pedágios, conforme planejado pelo Governo, não restam dúvidas de que os municípios em questão irão ser beneficiados com a geração de mais empregos e mais impostos. Todavia, no contraponto da história, o cidadão e a cidadã irão, lógico, pagar por isso. Mas, no frigir dos ovos, ter-se-ão uma estrada mais segura e um trânsito mais humanizado, espera-se.
Em seu poema “Ou isso ou aquilo”, a escritora Cecília Meireles expõe dúvidas cruéis – as quais são próprias do ser humano, entre elas dizendo que “...ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro...” E, parece, com as opiniões divididas, pleitear-se-á audiências públicas e reuniões, em busca do difícil denominador comum.
A despeito de quaisquer posicionamentos, para o bem de todos, que o resultado nos venha o mais breve possível, pois não dá mais para continuar esperando... A “rodovia da morte” já ceifou vidas demais e deixou muitos órfãos. Como a esperança é a última que fenece, prosseguimos esperançosos no sentido de que um bom termo apareça e a solução nos sobrevenha, para celebrarmos o que há de tão precioso: a vida

Will Jony Gomes Nogueira, jornalista, escritor
e assessor de Comunicação da Prefeitura de João Monlevade