Desde 1984
Erivelton Braz
05 de Julho de 2019
O tesouro do Solar
“A história é objeto de uma construção cujo lugar não é o tempo homogêneo e vazio,
mas um tempo saturado de agoras&8223 . Walter Benjamin, ensaísta e pensador alemão.



A casa onde Jean Antoine Félix Dissandes de Monlevade morou até a morte é um dos tesouros do nosso município. Patrimônio preservado pela ArcelorMittal, o imponente Solar ainda guarda mistérios centenários. No livro “Monlevade Vida e Obra”, de Juliana Maria do Nascimento Passos, primeiro registro sobre a história do francês, ela revela que foram enterrados moedas e jornais da época, como marca da edificação.
Será que esse tesouro nunca foi procurado? Será que essas moedas e jornais do século XIX ainda estão sob a casa? Esses tesouros têm a importância histórica e que muito têm a contribuir para entender o pensamento da época. Sem contar, que são um patrimônio de nossa memória porque, como disse Benajmin, representam “o tempo saturado de agoras”. Se forem encontrados, o tempo de Monlevade e o hoje, se convergem hoje, num novo momento da história.
Segundo registros históricos, o francês Jean de Monlevade contou com a amizade do Capitão – Mor João Gomes de Abreu e Freitas, que recebeu o francês Jean de Monlevade em sua residência na Villa de São Miguel do Piracicaba, quando chegou em Minas. Ele o ajudou a comprar sesmarias de terras pouco abaixo do arraial e o Solar foi erguido em 1818. O construtor João de Figueiredo foi o responsável pela construção do Solar e da vivenda dos escravos e a obra aconteceu em ritmo acelerado.
O Solar por si só, é um grande arquivo de nossa cidade. Quantos segredos as alcovas guardaram? Suas paredes, escadas e quartos, suas varandas diante das imponentes palmeiras, nos transportam no tempo e nos fazem pensar, como era a vida naquela casa e nas terras de Jean de Monlevade. A movimentação do pátio, o trabalho dos escravos, as plantações, os animais, o som da fábrica de ferro ainda ecoam no imaginário de quem o visita. Em seu interior, ainda resiste uma bem ornamentada capela, onde, à época, celebravam-se missas e outras atividades religiosas.
Vale lembrar que pouco restou dos tempos de Monlevade. Isso, porque, após a morte, em 1872, seus herdeiros venderam as terras e a fazenda. Há uma sopeira e um par de talheres, grafados com as iniciais JM, ainda guardados na casa. Os móveis e tudo o que há na casa, remontam a passado mais recente, nos tempos de Louis Ensch e outros diretores da Então Belgo Mineira.
Mas o que importa é que temos um grande tesouro de nossa história, um acervo que sobrevive há mais de duzentos anos e que, talvez ainda guarde em algum lugar do seu subsolo, as moedas e documentos da época da edificação da casa onde viveu o francês pioneiro, sua família e onde foi erguida uma das mais importante fábricas de ferro do país no século XIX.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação