Desde 1984
Cleonice Gomes Nogueira
28 de Junho de 2019
Nos bastidores da educação
Quando o assunto é educação, a ideia que se tem é de um ambiente de trabalho imaculado, onde os indivíduos constroem coletivamente valores, habilidades e conhecimentos, dentre outros. E ainda que boa parte desses profissionais tenham ética, a realidade no mundo educacional é bem diferente. Ela começa no processo de designação: um quer “engolir” o outro e torce para que a documentação do outro dê errada, a fim de que possa ficar em seu lugar. A trama antiética é visível.
No do ambiente de trabalho, alguns se acham melhores que outros. Falam em interdisciplinaridade, mas não vivenciam. Não se contextualizam e querem contextualizar os outros tentam dominar reuniões, falando arbitraria e compulsivamente como forma de domínio. Mas, no fundo, são limitados advogados sem causa. No mundo da educação, ironicamente ela é limitada. E ainda bem que boa parte dos profissionais lutam pelo bem-estar social, a vergonha sistêmica se faz presente.
“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo...”. Essa frase de Paulo Freire retrata, em parte, a contradição doutrinária que se prega nas escolas em geral. Na verdade, por detrás do sistema, ainda paradoxal e arcaico, está a diferença entre a prática e a teoria entre o ser e o estar entre a mentira e a verdade. Este jogo antitético não deveria estar presente na educação, mas o que se percebe, são alguns profissionais que “puxam o tapete” do outro com a naturalidade de um lord. São esses os Judas Escariotes presentes no século XXI, que lhe beijam a face, mas trazem consigo retóricas carregadas de aparente sabedoria, mas com gosto terrível de fel.
São tagarelas vazios de pudor, que pregam a paz, a ética e a cidadania, mas não as vivenciam no ambiente de trabalho. São eles, as laranjas podres da educação escondidas em meio aos bons profissionais. Eles mentem, manipulam e têm como referência a língua em lugar da competência. São parte de uma bandidagem clandestina, que pensa que se deu bem enganando pessoas.
Deveriam degustar o Evangelho de Tiago, ao invés de maquinar o mal contra aqueles que lhes cruzam o caminho. Mal sabem eles que a lei do retorno e da justiça caminham de mãos dadas e ainda que, o joio e o trigo cresçam juntos, em breve, o joio será retirado e jogado fora.
O verdadeiro profissional gosta de gente e tem a didática como seu livro de cabeceira. Ele se apraz nos pilares da educação e tem o respeito pelo outro como primazia. Enfim, ainda que a diferença entre o ser e o estar esteja presente em todos os segmentos, é lamentável saber que nos recônditos da educação, haja esta disputa insaciável pelo poder. Profissional que é profissional não trai o outro, não fala mal do outro. Ele parte do princípio de que a pirâmide da educação é inversa e de que ele nasceu para servir.

() Cleonice Gomes Nogueira é professora e termina mandato na direção da Escola Estadual Dr. Geraldo Parreiras