Desde 1984
Gustavo Domingues
21 de Junho de 2019
É preciso pensar grande
Qual foi a última ação importante que contribuiu de forma efetiva no desenvolvimento regional? Qual foi a última vez que você viu agentes políticos e privados da região unidos em prol dos interesses do Médio Piracicaba? Coloco na reta prefeitos, vereadores, deputados, empresariado e empreendedores.
Não, sua memória não está fraca. O associativismo e o pensar em conjunto saíram de moda faz tempo, infelizmente. Adianto que a dificuldade financeira que as prefeituras passam não pode ser fator impeditivo para colocar em prática soluções conjuntas para problemas comuns como geração de emprego e renda, meio ambiente, saúde, educação e turismo. “Ah, mas tudo envolve custo e as prefeituras estão quebradas” Pode ser diferente se colocarmos no debate poder público, agentes produtivos e a sociedade como um todo. Ter ideias não envolve custos e é o primeiro passo para a idealização de um projeto. Topa fazer um exercício criativo? Vamos lá. É preciso inovar.
Já pensou se no Médio Piracicaba existisse um entreposto comercial para negociação de produtos agrícolas de pequenos e médios produtores? Já passou da hora de termos um empreendimento nos moldes de um Ceasa que possibilite o pequeno/médio produtor negociar sua produção numa espécie de bolsa de valores local com cota única de imposto municipal. Poderia até mesmo ser uma unidade Ceasa de fato, viabilizada por intermédio dos nossos deputados estaduais e federais eleitos com nosso voto, basta apenas interesse e compromisso com a região. “Ah, mas precisaria comprar uma área pra fazer isso, construir e tal.” Não Em Ipatinga, por exemplo, uma feira do produtor funciona nesses moldes no estacionamento do estádio municipal, organizada pelos próprios empreendedores e funcionando como uma bolsa comercial de atacado e varejo. Replicar isso depende apenas de ter a ideia e colocar as pessoas certas para tocar o empreendimento e as prefeituras atuando com incentivo, planejamento e espaço físico, não é preciso construir. No caso de recursos financeiros para a manutenção, é montado um consórcio municipal para tal (ou a Amepi fica a cargo disso) e feito um rateio das despesas. Simples Esse custeio pode ser até mesmo em forma taxa de condomínio entre os participantes.
Outro exercício. Toda semana vemos reclamações e reivindicações a respeito do prédio abandonado da Escola Estadual Santana em João Monlevade. Já falaram em ser cadeia, que ia ser reformado, que ia voltar a ser escola e... nada Já pensou se a prefeitura, em convênio com alguma instituição do Sistema S, deputados e lideranças regionais, viabilizasse ali uma escola de empreendedorismo, faculdade de hotelaria ou gastronomia? Aposto que o Governo de Minas ia adorar ficar livre daquele prédio.
Uma forma de unificar esforços para resolver pautas em comum é o associativismo. Na região, a referência é a Amepi que hoje é formada por 12 municípios, mas é preciso sair da inércia: ou se fortalece a entidade ou a página é virada com outra entidade de representação com um maior número de munícipios, nem que seja pela mão de empreendedores e segmentada por setores de atuação. Nossa região é rica em potencial e de empreendedores, só é preciso estimular. Pensar que a indústria e mineração, etc, vão dar um jeito é passado, é preciso cobrar, agir, planejar e debater. É preciso pensar grande para ser grande.

() Gustavo Domingues é graduado em Administração Pública