Cotidiano
8 de junho de 2018

Na veia da redação

Poucas pessoas imaginam como é a adrenalina de uma redação de jornal. Os sentimentos, as dificuldades, o aprendizado e os desafios que enfretamos diariamente, ao produzir conteúdos para os leitores são imensos. E essa adrenalina é a mesma, independentemente do tamanho da redação, seja em um jornal da capital ou regional.
Trabalhamos com os fatos, que fazem parte do dia a dia de muitas pessoas. Mas, além da notícia, temos os personagens, que são o ponto alto de todas as matérias. Ao relatarmos, em um texto, os acontecimentos, temos que pesar todos os sentimentos e consequências deste, visto que a interpretação da notícia é muito particular.
Lidamos diariamente com dramas da sociedade, com entrevistados exaltados e, por vezes, nervosos. Às vezes, somos intimidados, limitados e postos a prova, diante de uma determinada cobertura. Nossos nervos precisam estar contidos e não podemos nos expor, para que a matéria seja isenta da nossa opinião.
Na política, vemos de perto os desafios e as frustrações. Nas eleições, fotografamos a esperança dos eleitores e ao decorrer dos governos, presenciamos a decepção naqueles mesmos olhares. Acompanhamos a trajetória de políticos comprometidos, envolvidos e responsáveis, mas também (e infelizmente), nos chegam informações nebulosas, de negligência e falta de compromisso com a população. Os bastidores das notícias são sempre muito quentes.
Nas matérias publicitárias, a correria também é grande. Apresentamos no texto o empreendimento e o sonho daquele empresário. As fotos, os depoimentos e a história da empresa serão levadas a todo o público e o alcance das informações é imensurável. Coberturas na BR 381 já nos revelaram histórias emocionantes, tristes e alegres. Vimos famílias dilaceradas e também aliviadas. Caminhões tombados, motoristas atentos, infinitos carros e gente, sempre muita gente.
A redação é imprevisível. Em um dia a calmaria, em outro o furacão. O fechamento, as inúmeras correções, o tratamento das fotos, o layout das páginas e a manchete são pensados nos mínimos detalhes, para facilitar a compreensão dos leitores.
São dos olhos que extraímos a essência do texto. Seja no olhar do senhor acamado, que nos traz uma história de descaso da saúde pública no olhar do apreendido com drogas, de desespero e de incompreensão também no olhar de um policial, que mesmo com pouca estrutura, arrisca a sua integridade em prol da população.
A redação de um jornal é uma faculdade para a vida. Aprendemos sobre todos os assuntos, todos os dias, e mais ainda, observamos como as pessoas reagem as notícias, fazendo parte delas. Presenciamos a nossa pequenez diante a vida, tão frágil e imprevisível.
Tudo isso vale à pena, pois a emoção dos leitores é a nossa emoção também. E por eles e para eles, que em nossas veias corre o sangue da informação e da notícia.

() Gabriela Gomes é publicitária e responsável pelo setor comercial do jornal A Notícia