Ponto e Vírgula
1 de junho de 2018

Pressão alta abala Moreira

Podem até dizer que não. Mas o ex-prefeito de João Monlevade, Carlos Moreira, está nervoso, cansado e estressado com os problemas do governo da esposa Simone Carvalho (PSDB). Nesta semana, ele foi hospitalizado com sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Felizmente, o susto não passou de uma elevação repentina da pressão arterial que o deixou de molho Hospital Margarida por quatro dias.
Sinal amarelo, quase vermelho, para quem trabalha incansavelmente como principal articulador da gestão da esposa. Conhecido por seu temperamento controlador, Moreira não aceita dividir responsabilidades e quer tomar conta de tudo. O seu estilo é centralizador e, por isso, ele pensa em política 24 horas por dia, além de trabalhar sem parar nos bastidores do governo da prefeita. E não duvido que, mesmo na casa de saúde, ele tenha deixado de pensar nisso.
Absolutamente todas as decisões mais importantes, resolução de demandas urgentes e estratégias para melhorar a imagem do governo, passam por suas mãos. A própria Simone já admitiu que ele é um consultor da sua administração e que conta com a experiência política de dois mandatos do marido à frente da Prefeitura. No entanto, diante dos sintomas e do diagnóstico, Carlos Moreira está, literalmente, abalado pelas pressões sofridas no governo Simone.
Denúncias e demandas em diversas secretarias, sobretudo nas de saúde e serviços urbanos, críticas da falta de diálogo com a Câmara de vereadores, entidades, entre outras questões administrativas, não saem de sua pauta. Fora isso, há a preocupação com as eleições deste ano, já que ele é o principal cabo eleitoral de Tito Torres e Rodrigo de Castro no pleito de outubro e também o responsável pela administração da Rádio Cultura. Soma-se também que, aos 60 anos de idade, ele é primeiro ex-prefeito a cumprir pena de serviços comunitários em instituição beneficente da cidade. Em vez da detenção, sua punição foi convertida em trabalhos no Projeto Vida Nova, do bairro São João. Realmente, é muita pressão para cima dele.
Carlos Moreira não aceita, mas deveria colocar o pé no freio e distribuir as responsabilidades. Precisa andar mais pela cidade, ouvir mais pessoas, inclusive, o vice Fabrício Lopes, os vereadores, seu filho, que é médico, e, quem sabe, até mesmo a própria esposa. A vida é uma só para ser levada tão a sério e tão a ferro e fogo, no calor dos embates e da pressão cotidiana. Porque afinal, tudo passa. Votos de melhoras ao ex-prefeito.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação