Editorial
1 de junho de 2018

Um novo Brasil

Diversas manifestações favoráveis à intervenção militar no Brasil, verdadeiro eufemismo para golpe militar, surgiram durante os 10 dias de protesto dos caminhoneiros. O pedido ganhou as rodovias, em cartazes de apoio à greve e foi dissipado por inúmeros grupos nas redes sociais. Mesmo por pessoas que viveram o regime autoritário que tomou conta do país entre 1964 e 1982.
Segundo especialistas ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo, a verdade é que pedidos de intervenção militar são uma afronta à Constituição Brasileira e poderiam ser caracterizadas como crime previsto pela Lei de Segurança Nacional (LSN). A própria expressão “intervenção militar” não existe na Constituição. E, ainda que existisse, qual é a garantia de que os militares têm mais competência para resolver os problemas do país? O alto comando do exército classificou o pedido de “coisa de maluco e tresloucado”. E, ainda assim, há os que defendem um governo militar, acusando os livros de história de distorcerem a verdade do que se passou neste país.
Estamos há três meses de uma eleição presidencial e que também vai eleger deputados estaduais, federais e governadores. A melhor intervenção no momento é o voto. Na democracia, não há outro caminho.
Se a população quer fim de mordomias para políticos e menos gastos com a máquina pública, para assim, diminuir impostos, precisa eleger quem queira trabalhar para isso. O primeiro passo é votar em políticos ficha limpa, que tenham compromisso e sejam acessíveis à população. Políticos que estejam dispostos a ouvir mais e falar o mínimo possível.
Está na hora de fazermos um novo Brasil, sem autoritarimos, sem ter as liberdades tolhidas e, sobretudo, com mais transparência. A política se faz é no diálogo e na tolerância para lidar com as diferenças. Ditadura nunca mais