Ponto e Vírgula
25 de maio de 2018

50 anos depois

Maio de 2018. Uma pergunta me incomoda: A geração que em 1968 era jovem, fracassou? Naquele mês, do chamado “ano que não terminou”, o mundo viveu a revolução da contracultura a partir da França. A partir de manifestações que tentaram mudar a forma do pensamento a partir de pelo menos quatro pilares: luta contra o capitalismo, luta contra a autoridade, defesa da paz mundial e da libertação sexual, jovens de vários países, inclusive, no Brasil, se uniram em prol do ideal de um mundo melhor. Tudo isso, ao som de Beatles e Rolling Stones e sob o slogan: “É Proibido Proibir”. O movimento foi, sobretudo, uma série de atos pela liberdade.
Passados 50 anos, o que ficou dessa revolução? Os filhos dos jovens de 1968 fizeram o quê? E seus netos? Qual foi o legado deixado? O grito da juventude que vinha das ruas e desafiava a lei e a ordem, hoje, silenciou-se? Onde estão os jovens que não ocupam as ruas em defesa de interesses coletivos?
Qual é a voz da juventude atual? Não é contraditório que, com tamanho poder da comunicação no século XXI, os jovens façam menos barulho do que seus pais e avôs? Estamos todos surdos ou as vozes realmente sumiram? Imersos em nós mesmos e na contramão da história do mês de revoluções, não estamos dando o devido ouvido aos jovens? Ou a juventude se calou, deixou-se de se expressar sobre os problemas de nossos tempos?
Vivemos ainda tempos bárbaros, de machismo, de violência contra mulheres e crianças, de desigualdade no respeito e no tratamento aos diversos gêneros. A geração que viveu o maio de 68 não deixou nada para seus descendentes? Afinal, nunca se viu tanta caretice e um domínio chato do politicamente correto.
O que ouve com frases como “É Proibido Proibir”, "Decreto o estado de felicidade permanente”, “Faça Amor não faça a guerra”? Ainda estamos engatinhando no Brasil em temas importantes como liberação sexual, diversidade de gêneros e homossexualismo. A dura verdade é que não se discute mais nada. Respeito às diferenças, luta por igualdade, política, futuro do país, ainda são pautas incipientes, sobretudo, nas salas de jantar. Aliás, as pessoas se reúnem na sala de jantar? Não estamos precisando de uma nova revolução cultural? Precisamos de um novo maio de 1968 em 2018.


() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação