Ponto e Vírgula
18 de maio de 2018

Diferentes como sal e luz

É muito importante ser diferente porque os iguais não fazem a menor diferença na vida das pessoas e nem da sociedade a qual estão inseridos. Homens e mulheres que sempre são os mesmos, que sofrem da chamada síndrome da Gabriela (aquela que canta “Eu nasci assim, serei sempre assim”) perdem a chance de experimentar o novo. “Estar na ponta do pelo do coelho”, como bem disse o escritor e filósofo Joistein Gaarder, é instigar o pensamento, a inteligência e saber deslumbra-se diante das coisas mais simples. Isso é uma forma de pensar diferente.
Em uma de minhas parábolas preferidas da Bíblia, Jesus diz que precisamos ser sal e luz do mundo. Isso é, precisamos fazer a diferença no modo em que estamos vivendo. E isso, não se trata de religião. Mas da forma de como vemos ou tratamos o próximo. O ato de fazer a diferença está ligado à questões simples e cotidianas: respeito ao outro, por exemplo. Olhar nos olhos durante uma conversa, deixar o celular de lado não chegar atrasado a compromissos honrar a palavra e ter comprometimento, são alguns dos exemplos desse respeito.
Buscar ser diferente, ser sal da terra e luz do mundo está também relacionado à forma de como lidamos com nossos companheiros de trabalho, nossos familiares, e demais pessoas do nosso convívio. É preciso viver longe da fofoca e da bajulação. Longe da intriga e daquilo que causa a morte e a separação. Ser diferente é justamente fazer o contrário: buscar a gentileza, dar atenção ao próximo, evitar o mau gosto e a deselegância, tratar todos com o devido apreço.
No Auto da Compadecida, peça do genial Ariano Suassuna, durante o juízo final, Nossa Senhora aparece e diz a João Grilo: “O diabo é o pai da mentira e ele quer te confundir”. Pois bem. O mal não quer a unidade, mas a desunião, a confusão. Porque o bem nasce, justamente, da integração e da verdade. Tudo o que leva à desunião e à separação nasce com a mentira.
Por essas e outras, numa comunidade de pensamentos iguais, é preciso sentir, pensar e agir de forma diferenciada. Num universo de egoísmos, é fundamental reforçar nossas diferenças, não se parecendo com o que é banal. “Ser diferente não é ser indiferente”, como disse o padre Marco José, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição. É justamente o contrário, nesse mundo cheio de maldade e ilusão.
Como a luz que rasga a escuridão e traz claridade aos caminhos e também como o sal, que tempera, reaviva o sabor de todos os alimentos, precisamos buscar a diferença. Basta de aparências, de viver para o ego, ou apenas para agradar o outro. Sejamos honestos, verdadeiros de coração e sinceros com nossos sentimentos e conosco mesmos. Já é o primeiro passo para fazermos deste mundo um lugar melhor para se viver.

Em tempo

Parabéns a todos os vencedores do 100 Melhores 2018, que logo mais sobem ao palco do Real Esporte Clube para receberem a premiação, organizada pelo jornal A Notícia. Merecida homenagem a quem faz a diferença em seus empreendimentos.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação