Cotidiano
16 de fevereiro de 2018

Muleta digital

Meu filho fez aniversário e no dia eu não postei nada. Não houve felicitações. Dias depois, quando eu postei uma homenagem a ele, as felicitações apareceram, e em grande número. Essa é a realidade do mundo virtual. Estamos submetidos à agenda eletrônica chamada rede social, que nos preenche e também nos limita.
A nova era nos transformou drasticamente. O imediatismo, a necessidade de aceitação e de aprovação, a vida perfeita, o melhor ângulo para a foto, tudo isso já faz parte da realidade de muitas pessoas, mesmo que apenas a realidade virtual.
As redes sociais não confortam como os abraços, as mensagens eletrônicas não substituem os telefonemas e as felicitações virtuais não são como as presenciais. Há mais amor no contato, nas conversas na porta de casa, no bom e velho café com os amigos.
As pessoas estão cada vez mais dependentes das redes. Claro que isso tem um lado muito positivo, como o contato com quem está longe, as negociações de trabalho e a facilidade nos registros, fotográficos e escritos. Mas deve haver um limite, para que a modernidade não ultrapasse a realidade.
As novas gerações não conhecem os antigos telegramas. Os e-mails, que até pouco tempo eram a novidade da comunicação, hoje, já não são os protagonistas. As fotos, que antes preenchiam numerosos álbuns, hoje, já não são reveladas.
O que será que nos espera nesse mundo virtual? Será que o tele-transporte, dos desenhos animados? Como será a nossa comunicação daqui a 30 anos? Os laptops serão aposentados? Os tablets também? E os celulares, o que serão deles?
Realmente não sabemos o que nos espera. A única certeza que temos é que a vida é surpreendente, como a evolução tecnológica. Quando mantemos nossos pés do chão, nossas mãos dadas com quem nos ama e nosso coração em paz, o reflexo da imagem virtual, mesmo que superficial, será mais humano.

() GABRIELA GOMES é publicitária e responsável pelo setor comercial do jornal A Notícia