Cotidiano
26 de janeiro de 2018

As cores da janela ao lado

As pessoas sempre veem mais sol na varanda do vizinho. Mais cores na janela ao lado. E acham que a fila de lá está mais rápida. Sempre aparece aquele para reclamar e se lamentar, diante dos seus problemas e do seu dia a dia. O tempo sempre é pouco, a hora sempre é curta e a pressa é constante. O peso sempre é muito, a grana é pouca e as contas infinitas.
Mas nenhuma pedra se move sozinha. E o que vivemos hoje, muitas vezes, é a nossa colheita de um passado, ainda fresco. Não há como colher margaridas semeando rosas, e nem tão pouco apanhar maças quando plantamos limões. A vida é uma constante colheita, espiritual e física, onde nós sempre podemos escolher.
A única coisa que não se pode conter é a morte. Essa aí chega atropelando mesmo, sem aviso e sem censura. Não escolhe rostos, nem saldos bancários, idade ou religião. Ela (a morte) a gente não pode mudar e nem temos como evitá-la. Infelizmente.
Para o resto, tudo é possível. Nunca é tarde para quem tem disposição e coragem para seguir, mesmo após o terremoto. Para quem resolve estudar, após anos parado. Para quem resolve mudar de área profissional após 15 anos no mercado. Maria foi advogada por anos e se encontrou vendendo bolos e doces. Joao passou anos na estrada, como motorista de caminhão e foi dando banho em cachorros que encontrou a sua vocação. José largou um emprego de liderança para abrir uma pousadinha em uma cidade turística. Sempre há tempo, para quem o deseja.
A coragem é o movimento da mudança. E o plantio, mesmo parecendo pequeno, pode florescer grandiosa e farta colheita. Com Deus na frente, coragem no bolso e boa vontade os caminhos vão se abrindo, a cada dia, para lindas paisagens antes nubladas. A janela do vizinho pode sim ter várias cores, e a sua pode ser o próprio arco íris.

() GABRIELA GOMES é publicitária e responsável pelo setor comercial do jornal A Notícia