Olhares
27 de abril de 2018

Justiça histórica

() Chico Franco (Interino)

Muito longe de querer tirar o mérito de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, acho que o Brasil não foi, até então, justo como deveria ser com o português Filipe dos Santos, que passou pelo mesmo martírio que o Tiradentes e também pelo mesmo ideal. Segundo a história, ele era garimpeiro em Vila Rica, tinha uma grande liderança nesse garimpo e não concordava com Portugal transformar o ouro em pó em barras e carimbá-las com o selo do rei, vendendo as barras e cobrando trinta por cento para a coroa. Filipe organizou um levante comandando cerca de dois mil homens e, em 28/06/1720, partiu com seus comandados até Ribeirão do Carmo, hoje Mariana, sede do governador da capitania de Minas, Dom Pedro de Almeida, para que não mais houvesse a saída de ouro em pó. Feito o acordo, os revoltosos se retiraram para Vila Rica novamente. Só que o Conde fez o acordo com medo do contingente que era grande e bem armado. Ele preparou a sua tropa e esmagou a revolta, prendendo os principais líderes, que foram soltos posteriormente, mas enforcando e esquartejando Filipe dos Santos, tal como Tiradentes, só que bem antes. Salvo engano, Belo Horizonte tem uma rua com o nome de Filipe dos Santos e conheço uma Loja Maçônica na Bahia também com o nome dele. São somente estas duas homenagens que eu conheço.

() Chico Franco é jornalista e apresentador de programa da Rádio Comunicativa FM