Olhares
16 de março de 2018

Responsabilidade ambiental

Pode-se dizer que, nos últimos anos, desastres naturais e não naturais têm acabado com várias cidades, sendo desapontante ver a forma com que nossos governantes e até a própria população se mostra indiferente com o atual cenário. É ciclovia que cai, barrancos que não seguram a chuva por causa de desmatamento, pistas que matam por aquaplanagem e barreiras de mineração que cedem. A produção humana em matérias tecnológicas ainda não é páreo para a força da natureza, mas será que a solução realmente se encontra na produção de materiais fortes e pesados? É preciso que haja um entendimento de que precisamos nos alinhar com a natureza ao invés de lutar contra ela, sabendo dos seus limites.
Porém encontra-se um problema quando a natureza não possui ligação com os acontecimentos desastrosos, como foi o caso ocorrido em Mariana no dia 5 de novembro de 2015. A falta de responsabilidade e o corte de custos visando lucro é um dos grandes problemas atuais. Produtos inferiores são utilizados para grandes e importantes obras que ficam sucateadas além da falta de fiscalização de responsáveis e a “vista grossa” sobre os problemas que existem. Mas de quem é essa responsabilidade e por qual motivo os mesmos não são discutidos? Até hoje, Bento Rodrigues está destruído sem nenhuma condenação aos responsáveis. A perda de um local e cultura é muito importante, assim como a justiça de tantas vidas pedidas e sofridas que não mereciam perder tudo que tinham.
A pior parte de lembrar de Mariana, um ano e quatro meses depois, é ver que a empresa não sofreu ainda os devidos encargos e que esses casos de danos à natureza continuam acontecendo, como foi o caso de Santo Antônio da Grama, onde o mineroduto se rompeu e causou o vazamento de polpa de minério na área. Esse é extraído na mina de Sapo Ferrugem, em Conceição do Mato Dentro (um dos maiores investimentos de mineração com impacto social e ambiental do mundo).
Quando utilizamos o termo tragédia para acontecimentos como os citados, estamos tirando a culpa dos causadores da situação e menosprezando toda uma discussão sobre responsabilidade ambiental, essa que deveria ser ensinada e colocada em prática. Quantas “mariana’s” precisarão existir até que esse assunto seja devidamente discutido e debatido?
() EDUARDA LUIZA é monlevadense, tem 18 anos e estuda artes e design na UFJF