Papo Aberto
4 de maio de 2018

Afasta de mim esse cálice

A Prefeitura de João Monlevade deu início, dias atrás, a uma severa empreitada para questionar a legalidade e desqualificar a atuação do Conselho Municipal de Saúde, tarefa atribuída a "capitães do mato" e parceiros de primeira ordem do grupo político que administra a cidade.
O interessante e que chama a atenção de quem pensa com frieza nos fatos é que, segundo as denúncias feitas, o Conselho funciona de forma ilegal desde o ano de 2009. Bom, sendo assim, pelo que entendi, há quase dez anos a entidade estaria ilegal, mas só agora foi questionada, é isso?
Por mais que as boas, puras e morais intenções dominem o assunto, para mim, a "caça" ao Conselho se deve, única e exclusivamente, ao fato de o mesmo estar gerando dor de cabeça ao governo municipal, no que tange a delicada e criticada área de saúde. O Conselho nada mais faz que a sua função, de fiscalizar e agir com firmeza e consistência diante de pontos polêmicos e espinhosos. Seus detratores ainda levantam a questão de que membros do Conselho agem por ideologia política, mas é bom que se diga que há, na entidade, um bom número de correligionários do atual grupo político no poder e de servidores comissionados, peças que apenas cumprem sua função numérica em reuniões e sequer usam a palavra. Talvez esse seja um dos problemas do governo.
Fiz parte de três ou quatro conselhos municipais e é triste constatar que quando um destes saem do "feijão com arroz" de apenas dar amém ao poder e age como conselho de verdade, é perseguido. E é ainda mais deprimente ouvir aqueles que não aceitam críticas e que usam toda e qualquer entidade para fazer política falar em politicagem, ditadura e, principalmente, em democracia, se o que estão fazendo nada mais é que um ataque a ela própria, querendo calar vozes e enfraquecer uma entidade que procura levantar questões importantes e de apelo popular.
A inversão de valores está se tornando, cada vez mais, um fato perigoso na sociedade atual. E ainda mais quando é alimentada pelo núcleo sujo da política, no âmbito mais rasteiro do termo. João Monlevade precisa, a cada dia, de mais que isso. Urgente.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia