Ponto e Vírgula
27 de abril de 2018

Presente para a cidade

Ao completar 54 anos no próximo domingo (29), o melhor presente que nossa querida João Monlevade merece ganhar é o reencontro consigo mesma. A cidade está há tempos perdida na bipolaridade de dois grupos políticos que só defendem, cada qual a seu modo, seus interesses próprios. Uma lástima. É preciso dar a João Monlevade a oportunidade de se redescobrir.
Não me canso de dizer e repetir: esta terra nasceu nobre, edificada por um francês visionário, que recebeu o cuidado e o progresso de luxemburgueses arrojados e, sobretudo, formada por por um povo que gosta de trabalhar, merece muito mais do que temos. João Monlevade precisa recuperar sua gênese de excelência e voltar a ser uma cidade moderna, grandiosa e focada no desenvolvimento. Do contrário, vai ficar parada no tempo e se tornará palco de bang bangs partidários que não geram fruto algum.
Hoje, no ano do 54º aniversário, não há discussão nenhuma sobre a cidade. Nenhum debate para melhorias coletivas é feito. O atual governo municipal perdeu os rumos pela politicagem e falta de posicionamento da prefeita. Diga-se de passagem, a primeira prefeita eleita da história da cidade. Simone deveria deixar o passado de lado e abrir novos caminhos, com sua sensibilidade e força feminina. Por exemplo, por que a cidade não tem um belo projeto paisagístico, envolvendo mudanças no trânsito, valorizando a acessibilidade, a mobilidade, como uniformização e rebaixamento dos passeios da região central?
O que se vê até o momento são ações antigas e que não significam nada além do populismo. Não se vê discussão, projetos e ações sobre acessibilidade, sobre a duplicação da Usina, sobre melhorias no comércio, geração de emprego, melhoria no lazer e cultura. Nada disso está em pauta. Como presente, Monlevade merece ser mais ela mesma. Voltar a ter a sua cara, de referência regional e de trajetória de sucesso. Com a autonomia e a grandeza dos que a construíram no passado.
Essa cidade deveria receber mais inovação, aproveitar as ideias e o talento de estudantes universitários, ter mais empresas no Distrito Industrial, um centro de cultura e lazer, um espaço para as famílias se divertirem. Monlevade merece mais ações sociais para tirar jovens da droga e da criminalidade. Deveria ter competições esportivas de alto nível: por que nunca mais tivemos a Taça BH de Futebol Júnior? Onde está a valorização da cultura popular? Cadê as oficinas de teatro? Cadê a literatura? Uma cidade que já teve dois cinemas, não pode ficar sem sequer uma sala em pleno século XXI. A cidade pode, merece e precisa ser mais ela mesma. Basta olhar para o que já foi um dia e no que se transformou hoje. Como presente de aniversário, deixo à cidade uma reflexão: não passou da hora de Monlevade ser mais Monlevade?

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação