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Papo Aberto
13 de abril de 2018
Ânsia por justiça?
Tudo bem, falar que político corrupto tem que ser preso e banido da vida pública virou mantra, hino e tese defendida por dez entre dez brasileiros engajados e politicamente corretos. Sejam eles de direita ou de esquerda.
É lindo postar em redes sociais que esse é vagabundo e merece cana, aquele é bandido e merece a exclusão do mundo político ou que aquele outro roubou e merece o inferno, afinal, todos os internautas são bons samaritanos e nunca defenderam ou, pior, votaram em corruptos e sequer sabem como eles chegaram lá.
A verdade é que se o retrato do Brasil fosse o perfil fiel das postagens de seus filhos em redes sociais na internet, estaríamos atropelando a China em termos econômicos, a Alemanha em produtividade e a Noruega em qualidade de vida. O que nos leva a crer que falar é muito fácil e, ainda mais, divulgar e produzir um automarketing favorável que nos eleve aos melhores seres humanos que a Terra já conheceu. Difícil mesmo é opinar com isenção, sem interesses obscuros por trás de cada postagem, frase, sentença ou certeza vazia.
Mas ainda acredito que o problema maior seja a disseminação de um ódio profundo e avassalador contra aqueles que não fazem parte do "meu time", da "minha turma". O campo das ideias e do debate sadio ficou de lado e agora vigora, com muito ardor, o conflito do bem contra o mal, do ruim contra o bom, do santo contra o demônio. Um embate odioso que, aos poucos, já rivaliza em violência com as disputas religiosas, geográficas e aquelas não menos perigosas das torcidas de futebol.
E que me desculpem, mesmo tentando não fazer juízo de valor, não posso me omitir e deixar de dizer que esse ódio tendencioso, vago e sem noção, cada vez mais evidente e visceral, principalmente vindo da dita direita, nada mais é que o fruto da não aceitação de derrotas seguidas nas urnas e da perda de benefícios que alimentaram uma elite burguesa e inútil por tanto tempo no país.
Não estou aqui para defender político denunciado, julgado ou condenado, seja ele A, B ou C. Os que exalto, felizmente, não frequentam tribunais. Aproveito apenas para reforçar minha constatação com o exemplo de nossa querida João Monlevade, onde a maioria dos que vibram com a recente prisão de um ex-presidente da República apenas o fez por ser puxa-saco ou devedor de favores ao grupo político de um ex-prefeito da cidade, também inelegível e condenado pela justiça. Ou seja, o fizeram apenas para agradar o seu chefe, que só não foi preso por uma conversão de pena concedida pela justiça.
Sinceramente, eu também quero os políticos corruptos presos e pagando pelos seus crimes, sejam eles de direita, esquerda, de centro ou de onde for, mas não tenho tempo e espaço para tanto ódio e rancor.
O Brasil pode, sim, melhorar muito. Basta deixarmos de olhar para os nossos próprios umbigos no momento de extravasar nossa tão ávida ânsia por justiça.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia
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