Editorial
9 de março de 2018

Aparelhamento da saúde é prejudicial

A Secretaria Municipal de Saúde de João Monlevade se transformou num aparelho político. Isso, porque a prefeita Simone Carvalho e o seu marido, Carlos Moreira, colocaram no setor, pelo menos cinco candidatos a vereador derrotados nas últimas eleições. O objetivo? Cacifá-los politicamente para a disputa do próximo pleito.
E, justamente por conta dessa decisão, a presença dos políticos tem gerado desconforto, confusões e muito desgaste para o governo municipal. Vereadores da base, inclusive, não poupam secretários de críticas por não serem atendidos em vários setores da administração. Isso, porque eles sabem que podem estrar sendo “minados” por aqueles que vão disputar cargos com eles daqui a pouco mais de dois anos.
Na semana passada, até a polícia foi chamada à Secretaria, devido a uma discussão entre o vigia do prédio, o vereador Revetrie Teixeira e o empresário Tony da Seta, pai de uma candidata derrotada nas últimas eleições. Tony foi ao local reclamar de Revetrie com a secretária, alegando que ele tinha trancado a filha dele, que está grávida, dentro do prédio. Ao deixar a sala da responsável pela pasta, o empresário e o vigia discutiram e a PM foi chamada para contê-los. Nesta semana, usando a tribuna de vereadores, Revetrie disse que o ocorrido é fruto de ações politiqueiras. Ele ainda disse que apenas fechou a porta principal da Secretaria, para acionar o alarme, uma hora após o término do expediente, cumprindo o protocolo de proteger o patrimônio público.
Desde o ano passado, o governo não tem conseguido evitar polêmicas e denúncias diversas envolvendo o setor. Também, com frequência, monitores do ônibus da saúde, todos políticos, são alvos de críticas de Revetrie e eles também criticam o vereador. Tudo isso poderia ser evitado, se não fossem os interesses políticos na pasta. A situação é tão crítica que a secretária responsável e até mesmo a prefeita têm tido dificuldades para comandar o setor.
Enquanto isso, o povo, quem deveria vir em primeiro lugar, é quem tem mais sofrido. Os problemas não serão resolvidos na Secretaria, enquanto o aparelho político não for desfeito. É preciso trocar, oxigenar, levar pessoas que não pensam em voto para melhor servir a população. A mercantilização da política é prejudicial e só leva João Monlevade para baixo. Como estamos ainda no início do segundo ano do governo, a prefeita tem a chance de mudar. E mudar para melhor. Basta querer e ter coragem.