Ponto e Vírgula
9 de março de 2018

Homem, esse bicho estranho

Ontem (8) foi Dia Internacional da Mulher, mas não escrevo sobre as mulheres. Escrevo sobre o homem, esse bicho estranho que costuma oprimir, agredir, desvalorizar e até matar as mulheres, mesmo tendo nascido do ventre de uma. Os tempos mudaram, mas ainda é preciso dar mais atenção às mulheres de João Monlevade, de Minas, do Brasil e do mundo. Passou da hora de dar um basta ao machismo, ao preconceito e à arrogância, típicos da nossa sociedade patriarcal.
As mulheres precisam de flores, claro. Mas não só no dia 8. No entanto, o que se faz mais necessário nos tempos atuais, é o respeito a elas. Às suas decisões, às suas escolhas e, sobretudo, a seus direitos. É muito bonito elogiar e reconhecer a força da mulher, em palavras e cartões. Mas mais bonito ainda, seria que a mulher fosse vista por inteiro, em sua integridade, como um ser igual.
Respeito não é só não agredir, não assediar ou não tocar sem consentimento. Respeito também é ouvir as opiniões. Respeito é não fazer piadinhas infames, sobre a suposta fragilidade delas ou sobre suas condições. Segundo reportagem do Yahoo Notícias, duas em cada três vítimas de feminicídio foram mortas dentro da própria casa. Além disso, o Brasil é um dos países em que mais se matam mulheres. O país ocupa, desde 2013, o 5º lugar no ranking de homicídios femininos entre 83 países. Essa chacina vergonhosa não pode continuar.
É preciso ensinar aos meninos de hoje a serem homens melhores amanhã. Para que eles não se transformem em covardes agressores. Parodiando Simone Buvoir, homem não nasce machista. Torna-se um, facilmente. Homem precisa aprender a conquistar. A elogiar. A valorizar mais, antes de ouvir que é preciso “pegar” muitas meninas.
Estudos apontam que homens que agridem mulheres, na verdade, têm é medo delas. Desde a idade média, a “caças às bruxas” é símbolo do desprezo e da violência do machismo. E essa violência continua até hoje. Quando as condições de trabalho não são respeitadas, quando não há representatividade da mulher na política. Veja em João Monlevade: Nos últimos oito anos, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara Municipal. No entanto, a cidade elegeu pela primeira vez na história, uma mulher à Prefeitura. Simone Carvalho também tem, em sua equipe, muitas mulheres no comando de secretarias. Mas ainda é preciso mais ações na defesa das mulheres da cidade, sobretudo, deixar o marido em casa e mostrar quem é que manda no governo.
As mulheres merecem mais que mimos. Isso, elas têm que ter sempre. Mas precisam ser mais ouvidas e valorizadas em sua feminilidade. A força da mulher é grande. E homem que é homem, sabe reconhecer isso. É preciso reconstruir um mundo mais digno para nossas mulheres, com menos sexualização, menos julgamentos, menos estupros e agressões de todos os tipos. Igualdade entre homens e mulheres, não é mandar a mulher descarregar um caminhão de tijolos ou bater uma laje. Igualdade é vê-la como semelhante. Nunca menor ou menos importante. Que de hoje em diante, possamos presentear as mulheres com rosas, perfurmes jantares, etc. Mas que façamos uma reflexão para tentarmos todos nos livrarmos do machismo-nosso-de-cada-dia.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação